13 jul 2026
Levantamento utiliza imagens de satélite para monitorar a dinâmica da safra 2025/26 e fornece informações estratégicas para gestão de risco, crédito, sustentabilidade e planejamento da cadeia agroindustrial
A expansão das áreas cultivadas com soja e milho segue sendo um indicador estratégico para diferentes segmentos do agronegócio, incluindo a cadeia de nutrição animal, que depende dessas culturas como principais fontes de proteína e energia na formulação de rações. Nesse contexto, o segundo capítulo da série Mapas Agro, da Serasa Experian, identificou um crescimento de aproximadamente 175 mil hectares de soja na safra 2025/26, considerando Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.
Segundo o levantamento, a Bahia concentrou 56% dessa expansão, o equivalente a cerca de 98 mil hectares, consolidando-se como o principal vetor de crescimento entre os estados analisados.
Mais do que acompanhar o avanço das lavouras, o estudo oferece uma visão antecipada da dinâmica produtiva da safra. De acordo com a Serasa Experian, o monitoramento permite identificar onde a expansão agrícola está ocorrendo, fornecendo subsídios para instituições financeiras, cooperativas, tradings, seguradoras e empresas do setor aprimorarem análises de risco, identificarem áreas de expansão, monitorarem critérios socioambientais e planejarem operações comerciais e logísticas.
“Em um cenário cada vez mais impactado por restrição de crédito, eventos climáticos extremos e novas exigências de rastreabilidade, a previsibilidade tornou-se um ativo estratégico para o agronegócio”, afirma Dyego Santos, gerente de Soluções Agro da Serasa Experian.
Segundo o executivo, a combinação de inteligência geoespacial, monitoramento agrícola e dados socioambientais permite antecipar movimentos de expansão da safra, fortalecer estratégias de crédito e conformidade, além de direcionar investimentos com maior segurança.
O levantamento também identificou expansão nas áreas cultivadas com milho de primeira safra. Nos quatro estados avaliados, a área destinada ao cereal alcançou aproximadamente 360 mil hectares, um crescimento de cerca de 20% em relação à safra anterior. A Bahia concentra aproximadamente 190 mil hectares desse total e se destaca pela expansão do cultivo no Oeste baiano, movimento que, segundo a Serasa Experian, está associado ao avanço da cadeia do etanol de milho na região.
Para a cadeia de nutrição animal, soja e milho representam os principais ingredientes utilizados na fabricação de rações. Embora o estudo não tenha como objetivo projetar oferta ou disponibilidade dessas matérias-primas, o monitoramento da evolução das áreas cultivadas constitui um importante indicador para o acompanhamento da produção agrícola e do planejamento da cadeia de insumos.
A área cultivada com soja na Bahia alcançou aproximadamente 2,27 milhões de hectares na safra 2025/26, crescimento de 4,5% em relação ao ciclo anterior e expansão acumulada de 23% nas últimas seis safras. Entre os municípios que mais ampliaram a área plantada em números absolutos estão São Desidério, Jaborandi, Correntina, Formosa do Rio Preto e Cocos.
Em Goiás e no Distrito Federal, a área cultivada com soja atingiu aproximadamente 5,84 milhões de hectares na safra 2025/26. Em comparação à safra 2020/21, a expansão acumulada chega a 1,2 milhão de hectares, alta de 28,4%.
No Mato Grosso do Sul, a soja ocupa aproximadamente 3,9 milhões de hectares, com crescimento acumulado de 14,4% nas últimas seis safras, equivalente a cerca de 490 mil hectares.
Além da expansão agrícola, o levantamento identificou áreas cultivadas localizadas em imóveis rurais com registros de supressão de vegetação ocorridos a partir de 31 de julho de 2019, informação utilizada em análises de conformidade socioambiental previstas pelo Manual de Crédito Rural (MCR).
Entre os estados avaliados, a Bahia concentra aproximadamente 174 mil hectares de soja nessas áreas. Goiás e Distrito Federal somam cerca de 40 mil hectares, enquanto Mato Grosso do Sul registra aproximadamente 18 mil hectares.
O estudo também identificou o cultivo de soja em assentamentos rurais, com aproximadamente 100 mil hectares no Mato Grosso do Sul, 70 mil hectares em Goiás e Distrito Federal e cerca de 2 mil hectares na Bahia.
Segundo Dyego Santos, o cruzamento entre imagens de satélite, inteligência territorial e critérios regulatórios amplia a capacidade de monitoramento da atividade agrícola e oferece maior segurança para análises relacionadas ao crédito, à sustentabilidade e à conformidade das operações no agronegócio.
Realizado por meio de imagens de satélite e técnicas de geoprocessamento, o Mapas Agro acompanha a expansão, retração e distribuição das culturas ao longo do tempo. As informações são validadas por especialistas em inteligência territorial, geoprocessamento e agronegócio da Serasa Experian, garantindo suporte para análises estratégicas relacionadas à gestão de riscos, ESG, crédito e planejamento da cadeia agroindustrial.
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