13 abr 2021
A segunda onda do Covid-19 trouxe novamente a discussão sobre a vulnerabilidade em relação às contaminações e, assim como outros surtos ou doenças já relatadas anteriormente, tais como, a Influenza A (H1N1), a Peste Suína Africana – PSA, Febre Aftosa, Brucelose, entre outros, afetou as produções animais e os homens.
Isso é muito preocupante pois 75% das doenças humanas emergentes ou reemergentes do último século são zoonoses, ou seja, são doenças de origem animal.
Este impacto, além de causar fatalidades humanas e animais, afeta a economia dos países que somam um excedente de 20% em perdas na produção animal mundialmente (ZANELLA, 2016), além de dificultar a comercialização dos produtos e favorecer a imposição de barreiras sanitárias.
![]()
A segurança alimentar é qualificada como um dos atributos mais importantes e valorizados pelos consumidores de alimentos de origem animal e é um assunto que sempre esteve em pauta nas diversas reuniões de comitês científicos e industriais, visto sua importância para saúde pública. Desta forma, a cada ano novas legislações são implantadas ou atualizadas visando a melhoria dos processos da cadeia alimentar, desde o bem-estar e saúde dos animais até qualidade final do produto, levando em consideração a sustentabilidade do meio ambiente.
Aplicadas na indústria de alimentos, em dezembro de 2020 entraram em vigor a RDC 331/2019 e IN 60/2019, que têm como objetivo aumentar a segurança alimentar para garantir a saúde dos consumidores, levando em consideração os padrões microbiológicos da cadeia produtiva.
Como já é conhecida, a RDC 331/2019 abrange toda cadeia produtiva dos alimentos tratando dos padrões microbiológicos dos alimentos e a aplicação dos mesmos, desde a produção até a comercialização, ou qualquer outra etapa que faça parte da cadeia de alimentos. Já a IN 60/2019, que complementa a RDC 331/2019, apresenta a lista com os novos padrões microbiológicos para
alimentos prontos para oferta ao consumidor. De forma geral, a RDC 331/2019 determina que os alimentos não contenham microrganismos patogênicos, toxinas ou metabólitos em concentrações prejudiciais à saúde e foram alteradas para atender as necessidades sanitárias nacionais e internacionais.

Dentre as alterações, destacam-se o aumento do número de análises de alguns produtos a fim de gerar mais dados para tomada de decisões mais assertivas. Outras alterações estão relacionadas às análises de sorotipos de bactérias que foram incluídos e às concentrações do limite microbiológico. Estas mudanças têm tornado os processos de produção mais rigorosos e evidentemente são uma preocupação para os produtores que são obrigados a se adequar às novas normativas que surgem a cada ano e ao mesmo tempo precisam analisar o custo/benefício de suas produções.
Na produção de alimentos de origem animal, como a carne, cada etapa da cadeia de produção é parte integrante na segurança alimentar, desde o campo até a mesa do consumidor, passando pelo processamento e abate.
| Embora, existam muitos pontos associados à limpeza, sanitização do ambiente e funcionários, qualidade da água utilizada no processo de abate e controle de pragas, as etapas consideradas mais críticas para contaminação da carcaça são as etapas iniciais do processo de abate, como a esfola e evisceração (BRANDÃO et al., 2012), onde a pele e as vísceras podem entrar em contato com a carne, carregando microrganismos patogênicos. |
A carne é um substrato de excelência para o desenvolvimento microbiano, devido essencialmente à sua elevada atividade de água (aw) de 0,99 e aos seus componentes de baixo peso molecular (hidratos de carbono, lactatos e aminoácidos), constituindo um perigo potencial para os consumidores na medida em que pode veicular microrganismos patogênicos, tais como Salmonella, Escherichia coli (GIL, 2000).
Desta forma, todas as medidas que possam minimizar a carga microbiana sem gerar resíduos na carcaça, desde o sistema de criação até o abate, são de extrema importância para qualidade do produto final e segurança alimentar.
Pensando nisso, a ICC Brazil segue inovando em soluções que possam agregar à cadeia de produção animal através de produtos que, além de auxiliar a microbiota ruminal, promove uma melhora da saúde intestinal e sistema imune dos animais, prevenindo/controlando a colonização de bactérias patogênicas e redução da contaminação dos produtos finais.
Por serem naturais, os aditivos à base de leveduras da ICC Brazil, promovem a segurança alimentar e ainda possuem excelente custo/benefício, favorecendo a rentabilidade ao produtor e um produto de ótima qualidade ao consumidor final.
O RumenYeast® é uma levedura Saccharomyces cerevisiae pura submetida ao processo de autólise onde ocorre o extravasamento de seu conteúdo celular interno, disponibilizando os sólidos solúveis por fermentação do meio.
O produto final é composto por vitaminas, peptídeos, aminoácidos livres e carboidratos funcionais, como MOS e β-glucanas. As β-glucanas conferem a imunomodulação do sistema imune inato, através do estímulo da produção de citocinas que desencadeia um aumento de células fagocíticas, primeira linha de defesa do organismo. As β-D-glucanas da parede das leveduras também são capazes de adsorver diversas micotoxinas, enquanto as α-D-mananas inibem a atividade tóxica destas, provavelmente por interagir com os radicais destes compostos (MADRIGAL-BUJAIDAR et al., 2002).
Somado a estes benefícios acrescenta-se o efeito de aglutinação das bactérias patogênicas pelo MOS (mananoligossacarídeos), proporcionando uma melhor integridade das vilosidades, ou seja, a permeabilidade intestinal é reduzida favorecendo uma barreira protetora contra bactérias e micotoxinas para a corrente sanguínea.
RumenYeast® é a nutrição ideal para a microbiota ruminal, já que, além de promover a saúde intestinal e fortalecimento do sistema imune, ele atua na manutenção do pH e estimulação das bactérias celulolíticas, proporcionando uma melhor condição do rúmen.
Um estudo realizado no Núcleo de Produção Animal (NUPRAN) na UNICENTRO, Guarapuava – Paraná, pela equipe do Prof. Dr. Mikael Neumann e da Prof. Dra. Heloísa Bertagnon (dados não publicados), avaliou o efeito de RumenYeast® na redução de coliformes totais e Escherichia coli nas fezes e da carcaça bovina no momento do abate após a evisceração.
A suplementação de RumenYeast® nas dietas promoveu redução da excreção fecal de coliformes totais e Escherichia coli, o que favoreceu a menor contaminação destes agentes na carcaça após a evisceração. (Tabelas 1 e 2).


Os nutrientes contidos nos aditivos a base de levedura são utilizados para a multiplicação de microrganismos ruminais, aumentando a fermentação da dieta, outros são absorvidos (fagocitados) estimulando uma resposta imunológica mais eficiente através dos leucócitos (glóbulos brancos) para combater os agentes infecciosos (WILLIANS et al., 1996).
Além de melhorar a resposta do sistema imune dos animais, podem favorecer o crescimento de bactérias benéficas e controlar a população patogênica, como foi mostrado em outro estudo realizado com cordeiros na Universidade Autónoma de Baja California, México, pela equipe do Prof. Dr. Alejandro Plascencia Jorquera (dados não publicados).![]()
Os cordeiros foram divididos em quatro tratamentos:
O teste teve como objetivo avaliar o efeito dos aditivos à base de leveduras sobre a redução da contagem de bactérias ruminais e fecais.
A associação de RumenYeast® com a levedura viva reduziu a contagem de Clostridium aminophilum e E. Coli O 157: H7 ruminal. A redução de algumas bactérias ruminais produtoras de amônia, como Clostridium aminophilum e Clostridium sticklanii, pode ter um efeito importante na melhora da retenção de nitrogênio, como foi observado nos resultados complementares a este estudo, onde houve a redução de N-NH3 ruminal com a suplementação de RumenYeast®, bem como com a associação de RumenYeast® com a levedura viva. A contagem de E. Coli O 157: H7 nas fezes foi reduzida com a inclusão de RumenYeast® na dieta, bem como o mesmo efeito foi observado para associação de RumenYeast® com a levedura viva (Tabela 3).

A redução estatística do número de UFC de E. coli O157:H7 nas fezes dos cordeiros comprovada pela suplementação de RumenYeast® na dieta é de extrema importância para o controle desta bactéria e da contaminação que pode provocar na carcaça animal. RumenYeast® é um aditivo natural que ajuda no controle de patógenos mesmo em baixas inclusões.
Saúde e nutrição são fatores de extrema importância que influenciam diretamente no controle de patógenos. A produção brasileira, por sua vez, mesmo diante à crise do último ano, conseguiu suprir a demanda e intensificou sua produção neste período turbulento, o que certifica a eficiência de fatores relacionados ao agronegócio e biosseguridade dos produtos. Mesmo assim a segurança alimentar deve ser trabalhada em toda cadeia de produção, pois está diretamente relacionada com a garantia de qualidade do produto final e saúde pública.![]()
A melhora na saúde dos animais proporciona uma melhor produtividade, menos gastos com antibióticos para tratamento dos animais doentes, menor resistência bacteriana por tratamentos incompletos e também, menor transmissão de doenças entre os animais.
Assim, a adoção da suplementação RumenYeast® além de oferecer uma combinação ideal para o rúmen, favorece um melhor controle sanitário e redução dos índices de contaminação refletindo em menores riscos de doenças transmitidas aos consumidores.
Autores: Liliana Borges e Melina Bonato
P&D, ICC Brazil
Assine agora a revista técnica de nutrição animal

Minerais e Saúde dos Cascos de uma fêmea gestante
Juan Gabriel Espino
Da mistura a boca da vaca: Qualidade da TMR sem desperdício

CUNICULTURA: SUSTENTÁVEL E LUCRATIVA, MAS CARENTE DE TECNOLOGIAS NO BRASIL

Selênio orgânico: Uma comparação de forma, fonte e função

AVICULTURA: 2026 SERÁ MARCADO PELA AMPLIAÇÃO DOS EMBARQUES DE CARNE DE FRANGO

É possível o uso de óleo de insetos como Nutracêutico em dietas para aves?

Equilíbrio entre PDR, PNDR e aminoácidos na dieta de vacas leiteiras