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Das colmeias à nutrição animal: abelhas inspiram estudos sobre fermentação

20 out 2026

Das colmeias à nutrição animal: abelhas inspiram estudos sobre fermentação

Microrganismos associados ao pão de abelha despertam interesse científico pelo potencial de produzir compostos antimicrobianos e inspirar novos aditivos para a produção animal; aplicações comerciais, porém, ainda enfrentam desafios de padronização e validação

Por redação nutriNews Brasil.

As abelhas polinizadoras são fundamentais para a reprodução de plantas e para a produção agrícola. Mas a contribuição desses insetos pode ir além da polinização: a maneira como processam, fermentam e conservam os próprios alimentos também desperta o interesse da ciência da nutrição animal.

Dentro das colmeias, o pólen coletado nas flores passa por transformações físicas e microbianas antes de ser armazenado e consumido. Nesse processo, microrganismos participam da conservação do alimento e podem produzir substâncias com atividade antimicrobiana. Investigar esses mecanismos abre possibilidades para pesquisas sobre inoculantes, bioconservantes e aditivos destinados a diferentes espécies de produção.

A conexão entre apicultura e nutrição animal não é recente. Estudos com própolis, pólen e outros produtos apícolas já investigaram efeitos sobre a saúde e o desempenho de animais. O diferencial está em aprofundar o conhecimento sobre os processos biológicos da colmeia e avaliar se eles podem inspirar soluções tecnológicas para a produção de aves, suínos, bovinos e organismos aquáticos.

Imagem: Sindiveg.

Para Heber Luiz Pereira, Zootecnista (UFMS) Doutor em Zootecnia (UEM), Consultor de apicultura e meliponicultura da HP Agroconsultoria LTDA, essa é uma linha de pesquisa promissora, mas que ainda precisa superar limitações metodológicas e produtivas.

“Se se observasse e estudasse mais as abelhas, já teria aprendido muito mais sobre conservação e uso de alimentos”, afirma o especialista.

O pão de abelha: um processo natural de fermentação e conservação

O chamado pão de abelha é formado a partir do pólen coletado pelas abelhas e armazenado nos alvéolos dos favos. Durante esse processo, o material recebe néctar e secreções das abelhas, é compactado e entra em contato com microrganismos que participam de sua transformação.

Imagem: Pão de abelha (Dreamstime).

O resultado é um alimento importante para a nutrição da colônia, especialmente por fornecer proteínas, lipídios, vitaminas e minerais. Diferentemente do mel, cuja transformação envolve principalmente a adição de enzimas e a redução do teor de água, o armazenamento do pólen inclui um processo de fermentação microbiana.

“Ela pega o pólen na flor e já adiciona néctar, que contém enzimas e microrganismos, para aglutinar, fazer a bolinha e colar na perna. Na colmeia, ela vai compactar isso no favo, umedecer mais e inocular mais microrganismos, e aí vai ocorrer a fermentação”, explica Heber.

Segundo ele, a fermentação é predominantemente ácido-láctica e contribui para reduzir o pH do alimento, favorecendo sua estabilidade microbiológica. O processo também pode modificar a disponibilidade dos nutrientes presentes no pólen.

A literatura científica descreve o pão de abelha como resultado da fermentação do pólen por bactérias ácido-lácticas e aponta mudanças em sua composição e biodisponibilidade nutricional. Revisões também registram atividade antimicrobiana em amostras de pólen apícola e pão de abelha, embora os resultados dependam da composição do material e das condições avaliadas.

Para a nutrição animal, a questão central é entender quais mecanismos desse processo podem ser reproduzidos ou aproveitados em outros sistemas de conservação de alimentos.

Heber Luiz Pereira.

Heber compara o armazenamento nos favos à produção de silagem. “A própria abelha, quando pega o pólen, prensa o pólen no favo e inocula microrganismos ácido-lácticos que geram uma fermentação naquele pólen compactado, que nada mais é do que uma silagem.”

A comparação ajuda a compreender o processo, mas não significa que o pão de abelha e a silagem convencional sejam produtos equivalentes. A composição das matérias-primas, as comunidades microbianas e as condições de fermentação são diferentes. A possível aplicação industrial depende de pesquisas que identifiquem os mecanismos relevantes e estabeleçam condições controladas de produção.

Microbiota das abelhas: uma fonte de investigação para a nutrição animal

A microbiota associada às abelhas e aos alimentos armazenados na colmeia é outra frente de pesquisa. Entre os grupos bacterianos encontrados em estudos com abelhas estão gêneros como Gilliamella, Snodgrassella, Lactobacillus e Bifidobacterium. Sua presença, entretanto, varia conforme o compartimento biológico estudado: a microbiota intestinal não deve ser confundida com a comunidade microbiana presente no pão de abelha.

Esses microrganismos participam de interações com o hospedeiro e o ambiente. Dependendo da espécie e da cepa, podem contribuir para processos digestivos, produzir metabólitos e interferir na colonização por outros microrganismos.

Heber ressalta que ainda existem questões a esclarecer sobre essas interações, especialmente em relação ao ambiente em que as abelhas vivem e aos efeitos de fatores externos sobre as comunidades microbianas.

“Essa microbiota ainda está sendo estudada. Precisa-se entender a interação com o ambiente interno da colmeia (por mais que a abelha controle, há uma certa variação) e os efeitos de defensivos”, afirma.

Uma revisão publicada em 2019 no Journal of Applied Microbiology examinou o estado da pesquisa e as possíveis aplicações de bactérias ácido-lácticas de colônias de abelhas em sistemas de produção animal, incluindo aves, suínos e bovinos. O trabalho demonstra que a conexão entre microbiologia das abelhas e produção animal já integra a literatura científica, mas não comprova, por si só, eficácia comercial de produtos derivados desses microrganismos.

Para avançar, é necessário identificar as cepas, caracterizar suas funções e avaliar se os efeitos observados em laboratório se mantêm em condições de criação comercial.

Probióticos, pós-bióticos e bioconservantes: onde estão as possibilidades?

Os microrganismos associados às colmeias podem interessar à indústria de nutrição animal por diferentes caminhos. Um deles é o desenvolvimento de probióticos, que são microrganismos vivos administrados em quantidades adequadas para conferir benefício ao hospedeiro.

Outra possibilidade está nos pós-bióticos, categoria que envolve preparações de microrganismos inanimados e/ou seus componentes, com benefícios demonstrados para o hospedeiro. A classificação de um produto depende de sua composição e de sua caracterização; nem todo metabólito microbiano pode ser automaticamente chamado de pós-biótico.

Também existe interesse em substâncias produzidas durante a fermentação que apresentem atividade antimicrobiana ou possam contribuir para a conservação de alimentos. Heber vê potencial especialmente na investigação dessas substâncias, sem necessariamente depender da incorporação de microrganismos vivos à ração.

“Por ser muito desafiador trabalhar com os próprios microrganismos vivos, acho complexo, mas eu fomentaria uma linha que isolasse microrganismos do próprio pão da abelha que produzam substâncias protetivas com efeito antibiótico.”

O especialista explica que alguns microrganismos, além de produzir ácido láctico, sintetizam outros compostos com potencial antimicrobiano. A identificação desses compostos poderia orientar pesquisas para o desenvolvimento de ingredientes destinados à nutrição animal.

“Nós temos muitos microrganismos que, além de fermentar e produzir o ácido láctico, também produzem outros compostos com ação antimicrobiana e antibiótica. Esses produtos poderiam ser utilizados como aditivos naturais, substitutos de antibióticos, anticoccidianos, etc., trabalhando-os fora da colmeia”, afirma.

A possibilidade de substituir antimicrobianos ou anticoccidianos, contudo, precisa ser tratada como uma hipótese de pesquisa, e não como uma aplicação comprovada. A eficácia depende do composto, do microrganismo-alvo, da dose, da espécie animal e das condições de uso. Segurança, estabilidade, efeitos sobre a microbiota e possíveis impactos na qualidade dos produtos de origem animal também precisam ser avaliados.

A padronização ainda é um dos principais obstáculos

Mesmo quando uma substância apresenta resultados promissores em laboratório, transformar essa descoberta em um ingrediente comercial exige controle de qualidade e capacidade de produção em escala.

No caso dos produtos apícolas, a composição pode variar conforme a origem botânica do pólen, a região, as condições ambientais e as características do material coletado. A mesma variabilidade pode representar um desafio para a obtenção de extratos e compostos com composição constante.

“O grande desafio dos produtos apícolas é a padronização”, resume Heber.

Segundo o especialista, existe ainda uma diferença importante entre a capacidade de produção da cadeia apícola e o volume potencialmente demandado pela indústria de nutrição animal. Mesmo que um produto demonstre eficácia, a disponibilidade de matéria-prima e o custo podem limitar sua adoção.

“A produção apícola é limitada e a produção animal é bem acima; a demanda e o quanto absorveria seria bem alto. E a gente tem mais o custo dos produtos apícolas, que são elevados.”

Por isso, o caminho mais promissor pode não ser utilizar grandes quantidades de mel, pólen ou própolis diretamente nas rações. A investigação de compostos específicos produzidos pelos microrganismos permitiria avaliar alternativas de produção e concentração de substâncias de interesse, embora essas etapas também exijam validação tecnológica.

Heber chama atenção para um ponto adicional: a dificuldade de padronização não desaparece necessariamente quando se trabalha com microrganismos selecionados.

“Mesmo com alta tecnologia, eles mesmos têm uma dificuldade de padronização”, relata, referindo-se à produção de ingredientes microbianos para nutrição animal.

O desenvolvimento de soluções comerciais, portanto, depende tanto da descoberta de novos compostos quanto da capacidade de reproduzir seus efeitos em lotes consistentes, com custo competitivo e segurança comprovada.

O pólen não é apenas uma fonte de nutrientes

O pólen é frequentemente associado ao seu conteúdo proteico e à diversidade de nutrientes. Entretanto, sua composição e seu aproveitamento biológico exigem avaliação cuidadosa.

A estrutura externa dos grãos de pólen apresenta camadas resistentes, que podem limitar o acesso aos nutrientes internos. Além disso, a composição varia entre espécies vegetais, o que influencia o perfil de aminoácidos e outros componentes do material.

Heber explica que a fermentação do pão de abelha pode contribuir para modificar a disponibilidade dos nutrientes, mas alerta para a necessidade de avaliar também os fatores que limitam sua utilização.

“Ele vai ter alguns fatores antinutricionais, uma parte indigestível que é da capa do grão de pólen”, afirma.

Outro ponto é a qualidade microbiológica. Como o pólen é coletado no ambiente e pode entrar em contato com diferentes microrganismos, sua avaliação precisa considerar a possibilidade de contaminação e a presença de fungos e micotoxinas.

“Temos também problema com microrganismos e fungos, que é natural ter nas plantas e no ambiente que as abelhas têm contato, então micotoxina pode ser algo presente no pólen também”, observa.

A advertência é relevante para qualquer proposta de utilização do pólen como ingrediente de rações. A origem, o processamento, a conservação e o controle de qualidade precisam ser considerados antes de recomendar seu emprego em escala produtiva.

Assim, a discussão sobre o potencial nutricional do pólen não deve se limitar à quantidade de proteína ou à presença de compostos bioativos. É necessário conhecer sua digestibilidade, sua variabilidade e os riscos associados à matéria-prima.

O que a fermentação natural pode ensinar à conservação de alimentos?

A fermentação observada na colmeia também desperta interesse para o desenvolvimento de inoculantes e estratégias de conservação de alimentos destinados aos animais. Na produção de silagem, por exemplo, a atividade microbiana é determinante para a acidificação e a estabilidade do material. A seleção de microrganismos capazes de favorecer uma fermentação desejável constitui uma das estratégias empregadas para melhorar a conservação.

No pão de abelha, a presença de diferentes microrganismos pode contribuir para a formação de uma barreira microbiológica, mas o processo não é inteiramente uniforme nem está sob controle absoluto das abelhas.

“Já sabemos, por exemplo, que ter diferentes cepas nas abelhas garante um produto mais estável (diferentes cepas que trabalham com uma finalidade semelhante), formando uma barreira microbiológica”, explica Heber.

A observação oferece uma hipótese para pesquisas com comunidades microbianas e combinações de cepas em alimentos fermentados. Entretanto, reproduzir a complexidade de uma comunidade natural é diferente de selecionar um inoculante com desempenho previsível.

Heber lembra que até mesmo dentro da colmeia existem variações entre células de armazenamento. A umidade e a temperatura são relativamente controladas, mas isso não impede que ocorram diferenças na fermentação e na conservação.

Dreamstime

“Às vezes a própria abelha tem um pólen mais antigo que não está muito bacana, ela isola, deixa uma camada de néctar por cima e aquele pólen é rejeitado.”

O exemplo mostra que a colmeia não é um sistema de conservação infalível. Para a indústria, a lição não é simplesmente copiar o processo natural, mas identificar quais mecanismos podem ser reproduzidos com controle suficiente para gerar resultados consistentes.

“Só com mais estudos a gente vai conseguir aplicar e trabalhar melhor na conservação de alimentos para animais e produtos agrícolas”, conclui o especialista sobre os desafios dessa linha de pesquisa.

Da pesquisa à granja: quais aplicações já foram demonstradas?

A utilização de produtos apícolas em nutrição animal já foi investigada experimentalmente. Estudos com própolis, pólen e outros derivados avaliaram diferentes respostas fisiológicas e produtivas, incluindo parâmetros relacionados à imunidade, ao desempenho e à reprodução.

No entanto, a existência de ensaios experimentais não significa que todos esses ingredientes estejam validados para uso comercial ou que seus efeitos sejam reproduzidos em diferentes sistemas produtivos.

Heber relata que há estudos com própolis e pólen em aves e suínos, além de investigações mais restritas em bovinos. Ele não conhece, entretanto, aplicações comerciais em larga escala baseadas especificamente nos microrganismos identificados no pão de abelha.

“Em escala eu não conheço, mas há vários estudos. Em aves, uso de própolis melhorando a imunidade e melipólen para melhorar o desempenho; em suínos também já se utilizou própolis e pólen, mas apenas em uso experimental.”

O especialista avalia que o desenvolvimento de produtos derivados desses processos ainda está em uma fase inicial de pesquisa aplicada.

Para que uma solução chegue à produção animal, será necessário demonstrar não apenas um efeito biológico, mas também sua repetibilidade, segurança, viabilidade econômica e compatibilidade com as condições reais de criação. Ensaios em escala comercial e protocolos de qualidade serão importantes para distinguir resultados promissores de tecnologias efetivamente disponíveis ao mercado.

Polinizadores sob pressão: a relação entre saúde das abelhas e agricultura

O potencial biotecnológico das abelhas não elimina a necessidade de preservar suas populações e seus habitats. Ao contrário, a pesquisa depende de ambientes que mantenham a diversidade de espécies, plantas e microrganismos associados aos polinizadores.

Em reportagem publicada em 3 de agosto de 2026, o The New York Times, em Honey, Call the Bee Vet!, abordou a crescente atenção à saúde das abelhas-melíferas e os esforços para ampliar o atendimento veterinário a esses insetos. A reportagem destacou a combinação de parasitas, patógenos, alterações climáticas, defensivos e deficiência nutricional entre os desafios enfrentados pelas colônias. Também relatou perdas superiores à metade das colônias manejadas nos Estados Unidos na temporada de 2024 a 2025. 

No Brasil, o quadro precisa ser observado a partir da diversidade de espécies nativas e da situação de conservação de cada uma. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), 286 espécies de abelhas haviam sido avaliadas na página oficial de categorias de risco atualizada em julho de 2026; 244 estavam classificadas como “Menos Preocupante”. O total avaliado não representa todas as espécies brasileiras, e as demais não podem ser automaticamente consideradas ameaçadas sem consultar suas categorias individuais. 

Ver lista geral do SALVE: Clique aqui.

A situação das abelhas nativas sem ferrão também recebeu atenção em reportagem da Reuters publicada em 4 de agosto de 2026. A matéria In Brazil, Indigenous experts care for native, stingless bees mostrou o trabalho de comunidades indígenas Guarani na proteção de espécies como mirim e jataí. Segundo a reportagem, cientistas identificaram cerca de 300 espécies de abelhas sem ferrão no Brasil, enquanto pesquisadores alertam para os efeitos potenciais da destruição de habitats, do desmatamento, das mudanças climáticas e do uso de pesticidas. A reportagem também ressaltou a importância cultural da meliponicultura para essas comunidades.

Crédito: site Reuters.

Leia matéria na íntegra: In Brazil, Indigenous experts care for native, stingless bees

O texto da Reuters reforça uma distinção importante, mesmo quando uma espécie não está oficialmente classificada como ameaçada, isso não significa que esteja livre de pressões ambientais ou que sua população permaneça estável em todas as regiões.

Proteção das abelhas exige planejamento, informação e boas práticas no campo

A convivência entre agricultura e apicultura depende de medidas preventivas, comunicação entre os envolvidos e aplicação responsável de produtos fitossanitários. A proteção dos polinizadores não se resume à conservação de colmeias manejadas: envolve também a preservação de habitats, a disponibilidade de recursos florais e a redução de riscos para abelhas silvestres.

Em material divulgado pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), por meio do programa Colmeia Viva, a entidade destaca o diálogo entre agricultores e apicultores, o planejamento das atividades e o cumprimento das recomendações técnicas como componentes importantes da prevenção de incidentes. A iniciativa também oferece capacitação e orientações sobre boas práticas agrícolas e apícolas.

“A proteção das abelhas não depende de uma única medida nem de um único elo da cadeia. É um trabalho conjunto, que envolve agricultores, apicultores e os demais profissionais que atuam no campo”, afirma Isabela Rivato, bióloga e analista de Uso Correto e Seguro do Sindiveg, em material institucional do programa.

O texto do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), assinado pelo engenheiro agrônomo Décio Luiz Gazzoni, também enfatiza a adoção de boas práticas para reduzir a exposição dos polinizadores a defensivos. Entre as medidas discutidas estão a comunicação prévia sobre aplicações, a prevenção da deriva, a observação das condições de aplicação e a avaliação das combinações de produtos utilizados. As recomendações devem ser aplicadas em conformidade com as orientações técnicas, o registro dos produtos e as condições específicas de cada cultura.

A proteção dos polinizadores é, portanto, uma questão que atravessa a biodiversidade, a produção agrícola e a segurança dos sistemas alimentares. Para a nutrição animal, compreender a biologia das abelhas pode abrir caminhos de pesquisa sobre fermentação, microbiota e compostos antimicrobianos. Mas a exploração desse potencial depende de investigação científica rigorosa, enquanto a conservação das próprias abelhas exige ações concretas no campo.

Como resume Heber Luiz Pereira, “se se observasse e estudasse mais as abelhas, já teria aprendido muito mais sobre conservação e uso de alimentos”.

 

Outras abelhas nativas ameaçadas

Espécie Grupo
Actenosigynes mantiqueirensis Abelha coletora de óleo
Albinapis gracilis Abelha coletora de óleo
Arhysosage flava Andrenidae; VU
Bombus bahiensis Mamangaba; EN
Bombus bellicosus Mamangaba; VU
Centris hyptidoides Abelha coletora de óleo
Centris thelyopsis Abelha coletora de óleo
Eufriesea brasilianorum Abelha de orquídea
Eufriesea pyrrhopyga Abelha de orquídea
Euglossa avicula Abelha de orquídea
Euglossa cyanochlora Abelha de orquídea
Eulaema felipei Abelha de orquídea

Fontes consultadas

1. Heber Luiz Pereira — zootecnista, apicultor, consultor especialista em sistemas de produção com abelhas e proprietário da HP Agroconsultoria. Fonte: entrevista concedida à reportagem.

2. The New York Times (NYT) — reportagem utilizada como referência para contextualizar a importância das abelhas e os desafios relacionados à sua proteção.

3. Reuters — reportagem utilizada como fonte complementar sobre a proteção das abelhas e as ameaças aos polinizadores.

4. Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) — informações sobre proteção de abelhas e boas práticas agrícolas.

5. Colmeia Viva® — iniciativa do Sindiveg voltada à convivência entre agricultura e apicultura e à proteção de abelhas. Inclui conteúdo técnico e orientações de assistência.

6. Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) — conteúdo técnico-institucional relacionado à sustentabilidade agrícola e à proteção de polinizadores.

7. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) — informações institucionais sobre conservação da biodiversidade e proteção de espécies.

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