11 set 2026
Avanço do DDGS, maior oferta de farelo de soja e expansão do sorgo podem reduzir a dependência do milho e dar mais flexibilidade às formulações de aves, suínos e bovinos
O avanço da produção de biocombustíveis está provocando uma mudança que vai muito além do setor de energia: a matriz de ingredientes disponível para a nutrição animal brasileira está ficando mais diversificada. É o que aponta uma nova análise do Rabobank, segundo a qual a expansão do etanol de milho, do processamento de soja e da produção de sorgo pode reforçar uma das principais vantagens competitivas da proteína animal brasileira, o acesso a ingredientes em volume e a custos competitivos.
Para a indústria de rações e os produtores, a mudança interessa porque alimentação continua sendo o principal componente dos custos operacionais. No primeiro semestre de 2026, o alimento representou cerca de 72% dos custos da produção de suínos em Santa Catarina e 63% dos custos de frangos no Paraná, segundo os dados citados pelo Rabobank.
O milho ganha concorrentes dentro da própria cadeia
O milho permanece como base das formulações, mas sua participação na alimentação animal caiu entre 2017 e 2025. Ao mesmo tempo, coprodutos industriais ganharam espaço, principalmente o DDGS, enquanto o sorgo avança como alternativa regional.

A lógica é estratégica, quanto maior o número de ingredientes tecnicamente viáveis, menor a dependência de uma única commodity e maior a capacidade do nutricionista de trabalhar com formulações de menor custo.
Essa transformação, porém, não significa simplesmente substituir milho por DDGS ou sorgo. O Rabobank destaca que a utilização depende da espécie, composição da dieta, qualidade do ingrediente, processamento e condições econômicas.
Entre os coprodutos, o DDGS é o que apresenta uma das trajetórias mais expressivas. Sua oferta cresceu, em média, 21% ao ano nos últimos cinco anos, e a projeção do Rabobank indica produção de 8 milhões de toneladas em 2031.

O potencial de substituição também varia conforme o sistema produtivo. O relatório estima 20% a 30% de substituição na matéria seca para bovinos, 10% a 20% em dietas de suínos e 5% a 15% em frangos de corte, sempre dependendo das condições nutricionais e econômicas da formulação.
O ponto central para o nutricionista é que o DDGS não deve ser avaliado apenas pelo preço da tonelada. Seu valor econômico precisa considerar o conjunto de nutrientes que fornece e quais quantidades de milho e farelo de soja podem ser substituídas na dieta.
A expansão do biodiesel também pode aumentar a oferta de farelo de soja. Com uma mistura obrigatória de 20% de biodiesel projetada para 2030, o Rabobank estima que o esmagamento de soja poderia alcançar aproximadamente 69 milhões de toneladas, elevando a produção de farelo em cerca de 5 milhões de toneladas frente ao volume estimado para 2025.
Já o sorgo pode passar de 6 milhões de toneladas em 2025/26 para 10 milhões de toneladas em 2031, especialmente como alternativa em regiões onde as condições de chuva dificultam o cultivo da safrinha de milho.
Para aves e suínos, a mensagem mais importante do relatório é clara: a disponibilidade de ingredientes não aparece como um gargalo para a expansão da produção brasileira nos próximos anos. Mesmo considerando premissas conservadoras de inclusão de DDGS e sorgo, a oferta projetada permanece confortável diante da demanda.
Isso muda a tomada de decisão. O diferencial não estará apenas em produzir mais grãos, mas em transformar melhor cada tonelada de matéria-prima em alimento, proteína e valor agregado.
Nesse cenário, bioenergia, processamento de grãos e nutrição animal deixam de ser movimentos separados e passam a compor uma mesma equação de competitividade para a carne de frango e suína brasileira.
Fonte: Rabobank – com adaptações da nutriNews Brasil.
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