20 ago 2026
Preço recebido pelo produtor sobe pelo sexto mês consecutivo em junho; no atacado paulista, UHT registra alta de 7,35%, enquanto comércio exterior de lácteos também cresce
O mercado brasileiro de leite entrou no segundo semestre com preços ao produtor em trajetória de alta, recuperação do UHT no atacado e aumento das movimentações de lácteos no comércio exterior. Os dados integram o Boletim do Leite de agosto do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), divulgado em 19 de agosto.
O preço do leite captado em junho subiu pelo sexto mês consecutivo. Na “Média Brasil”, a cotação alcançou R$ 2,7464 por litro, avanço real de 3,02% em relação a maio. Apesar da sequência de altas, o valor ainda ficou 0,86% abaixo do registrado em junho de 2025.
Desde janeiro, o preço pago ao produtor acumula alta real de 33,1%. Mesmo com essa recuperação, a média real do primeiro semestre de 2026 ficou em R$ 2,4659 por litro, 14% abaixo da observada nos primeiros seis meses de 2025. Os valores foram deflacionados pelo IPCA de junho.
No mercado de derivados, os movimentos foram distintos entre os produtos analisados pelo Cepea em parceria com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). O leite UHT ganhou força em julho, com valorização de 7,35% no atacado paulista. O preço médio chegou a R$ 4,88 por litro.
Segundo o Cepea, tanto as variações mensais quanto as semanais confirmaram a tendência de alta, indicando maior firmeza nas negociações. O comportamento do UHT ocorre em um cenário de alta do preço do leite cru, que avançou 3,02% entre maio e junho.
O comércio brasileiro de lácteos também apresentou crescimento em julho. As importações aumentaram 9,01% no mês, totalizando 236,3 milhões de litros em Equivalente-Leite (EqL). Já as exportações tiveram crescimento mais expressivo, de 17,43%, alcançando 5,27 milhões de litros EqL.
Na comparação com julho de 2025, o movimento foi diferente: as compras externas cresceram 33,49%, enquanto os embarques brasileiros registraram queda de 5,55%. De acordo com o Cepea, o comércio de lácteos em julho foi impulsionado pelas compras de queijos e leite em pó.
Na produção, os custos da pecuária leiteira permaneceram praticamente estáveis pelo segundo mês consecutivo. Entre junho e julho, o Custo Operacional Efetivo (COE) apresentou pequena queda de 0,31% na “Média Brasil”.
Entre as praças acompanhadas pelo Cepea, Minas Gerais registrou a maior redução, de 1,1% no período. O cenário traçado pelo levantamento combina, portanto, seis meses consecutivos de valorização do leite ao produtor, recuperação do UHT no atacado, avanço das operações de comércio exterior e estabilidade dos custos da atividade. Ainda assim, a média real paga ao produtor no primeiro semestre permanece abaixo da registrada em 2025.
Fonte: Cepea/Esalq-USP, com dados do Boletim do Leite de agosto de 2026.
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