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Pastagens de inverno superam 500 kg de ganho de peso por hectare no Paraná

06 out 2026

Pastagens de inverno superam 500 kg de ganho de peso por hectare no Paraná

Dados de três anos em Guarapuava mostram a relação entre desempenho individual, carga animal e produção por área; Lustosa discute manejo e adubação na integração com grãos.

Por redação nutriNews Brasil

Pastagens anuais de inverno produziram mais de 500 kg de ganho de peso vivo por hectare em cada um dos três anos de um ensaio na região de Guarapuava, no Paraná. Com períodos de utilização entre 101 e 103 dias, os resultados mostram quanto a pecuária pode produzir nessa janela e por que o desempenho por animal precisa ser acompanhado da produção por área.

Os dados foram apresentados por Sebastião Brasil Campos Lustosa, da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), no 5º Fórum Brasil Sul de Bovinocultura de Corte, em 2026. Na palestra “Construindo uma lavoura de carne: como aliar a produção de grãos e carne em uma propriedade”, ele defendeu que o cultivo de pastagens receba o planejamento agronômico dedicado ao milho, à soja e às demais lavouras.

A proposta envolve escolher as forrageiras, investir na fertilidade do solo, acompanhar seu crescimento e organizar o uso pelos animais. Na integração, esse manejo precisa considerar também a cultura seguinte, a cobertura do solo e a circulação de nutrientes entre as etapas de produção.

Mais ganho por animal nem sempre significa mais ganho por hectare

Em 2017, o ensaio registrou ganho médio diário de 908 gramas por animal e ganho de 529 kg de peso vivo por hectare. Em 2018, o desempenho individual subiu para 1.036 gramas por dia, enquanto o ganho por área ficou em 507 kg/ha. Em 2019, os resultados foram de 1.087 gramas por animal por dia e 538 kg/ha.

 

 

Ano GMD (g/animal/dia) Ganho (kg PV/ha) Carga animal (kg PV/ha) Utilização (dias)
2017 908 529 1.383 102
2018 1.036 507 1.458 101
2019 1.087 538 1.403 103

Fonte: tabela de ensaio com forrageiras anuais de inverno na região de Guarapuava, apresentada por Lustosa. PV: peso vivo; GMD: ganho médio diário.

 

O contraste entre 2017 e 2018 ajuda a interpretar os indicadores: o maior ganho individual não se traduziu em maior ganho por área. A tabela registra também mudanças na carga animal e no tempo de utilização, mas não permite identificar isoladamente a contribuição de cada fator para essa diferença.

Carga animal expressa o peso vivo dos animais mantidos por hectare. Ganho por área expressa o peso que eles acumularam durante a utilização da pastagem. São medidas distintas, e nenhuma delas corresponde diretamente à produção de carcaça.

Os resultados se referem ao ensaio apresentado para Guarapuava, de 2017 a 2019. O material não detalha sua composição forrageira, a categoria dos animais ou eventual suplementação, o que limita a comparação direta com outros sistemas.

O desembolso com pastagem precisa ser comparado à produção

Lustosa apresentou duas situações identificadas no slide como pastagem “cara” e “barata”. A primeira, com maior desembolso em fertilizantes, tinha carga animal de 1.009 kg de peso vivo por hectare no momento registrado. A apresentação descrevia ressemeadura natural de azevém, baixa infestação de invasoras e ganho médio diário alto e estável.

Na segunda, com menor desembolso em fertilizantes e uso de 30 kg de sementes de azevém por hectare, a carga indicada era de 512 kg de peso vivo por hectare. O slide apontava maior infestação de invasoras e ganho médio diário moderado.

A comparação questiona a escolha baseada apenas no gasto inicial. A diferença de carga animal, porém, não basta para afirmar qual situação foi mais rentável: o material não apresenta os custos completos, as receitas e períodos comparáveis de utilização das duas áreas.

A altura da planta orienta o pastejo

Ao discutir o manejo, Lustosa questionou a definição de dias fixos de permanência dos animais sem observar a condição da forrageira. Temperatura, disponibilidade de água e crescimento da planta interferem na oferta de pasto; dividir a área em piquetes não resolve, sozinho, o manejo da alimentação.

A altura da pastagem apareceu como ferramenta para acompanhar essa condição. Um esquema adaptado de Hodgson (1990), apresentado na palestra, relaciona a estrutura do pasto à qualidade da forragem: abaixo do nível indicado, acumulam-se folhas e perfilhos mortos; acima, predominam folhas de maior qualidade. O esquema não foi apresentado como uma altura única a ser aplicada a todas as espécies.

Adubação planejada para a sequência de culturas

Outra mudança discutida foi o momento de adubar. Nos esquemas apresentados, a adubação de sistema antecipa aplicações para a fase de inverno, considerando a sequência de usos da área. A pastagem passa a integrar o planejamento de fertilidade que também atende às lavouras, em vez de depender apenas do efeito residual da adubação de verão.

Lustosa relacionou essa organização ao rendimento das operações e às janelas de trabalho. O material não estabelece uma dose universal nem sustenta a eliminação de fertilizantes em qualquer situação; a proposta exige considerar as condições do solo e as necessidades das culturas da sequência.

Entre os exemplos de integração estava o consórcio de milho com capim, seguido da utilização da forragem após a colheita e da entrada da fase de inverno. O calendário precisa acomodar a produção animal e as operações agrícolas, preservando as condições para a próxima lavoura.

A apresentação trouxe ainda uma série de produtividade de soja, de 68,7 sacas por hectare em 2021/22 a 90,7 sacas por hectare em 2025/26, no contexto da experiência relatada pelo palestrante. Esses registros mostram a evolução da produção, mas não isolam o efeito do pastejo de outras mudanças de manejo ou das condições climáticas de cada safra.

 

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