União Europeia aprova fim gradual da criação industrial de animais em gaiolas até 2027. Por efeito dominó, medida impactará países como Brasil
União Europeia aprova fim gradual da criação industrial de animais em gaiolas até 2027. Por efeito dominó, medida impactará outros países, incluindo Brasil.
A Comissão da União Europeia (UE) aprovou no último dia 30 o projeto de iniciativa popular de cidadãos comunitários (European Citizens’ Initiative – ECI) intitulado “Fim da Era da Gaiola”. A partir de agora o órgão se compromete a conceber um plano de transição, a ser publicado até o final de 2023, promovendo a gradual redução da criação animal industrial em gaiolas até o total banimento a partir de 2027.
A estratégia para viabilizar a transição de forma equilibrada prevê uma abordagem científica e vislumbra, entre outros apoios, incentivos financeiros aos produtores com vistas à implantação das adaptações necessárias.
Proteção Animal Mundial, organização não-governamental que trabalha em prol do bem-estar animal e que por meio dos seus escritórios na Europa atuou ativamente da mobilização popular para a proposta, celebra a aprovação e seguirá acompanhando os desdobramentos até a efetiva entrada em vigor e posteriores fiscalizações da regra.
O movimento faz parte de uma ampla revisão da legislação de bem-estar animal na UE. As espécies contempladas pela norma incluem:
galinhas poedeiras
“A medida representa um avanço importantíssimo na transição para sistemas mais éticos e sustentáveis de produção, com a disseminação de conceitos de bem-estar animal na indústria intensiva de criação, seja no contexto de outras políticas do bloco, seja em relação às repercussões internacionais. Isso porque além de afetar países membros, a regra vai alcançar também importações de países de fora da União Europeia, como é o caso do Brasil”, analisa José Rodolfo Ciocca, gerente de Agropecuária Sustentável da Proteção Animal Mundial no Brasil.
A elaboração das normas sobre a criação de animais em gaiolas nos países da UE será amparada por estudos científicos da European Food Safety Authority (EFSA, a Agência Europeia de Segurança Alimentar). As investigações prévias do tipo já revelaram, entre outras descobertas, que animais criados em ambientes de alto bem-estar proporcionam alimentos de melhor qualidade. Os indivíduos mais saudáveis e necessitam de menos medicamentos. Isso reduz riscos de aumento da resistência antimicrobiana e o surgimento de bactérias multirresistentes. Ou seja, o bem-estar na criação animal é também uma forma de prevenir futuras pandemias dentro do conceito de Uma Saúde/Saúde Única (humana, ambiental e animal).
Contribuindo para o debate no país, a Proteção Animal Mundial, com o apoio de Business Benchmark on Farm Animal Welfare (BBFAW), Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) e Compassion in World Farming, realizará na próxima quarta-feira, às 11h, o webinar “Bem-estar animal na estratégia de empresas e investidores“. O evento, com a participação de grandes especialistas, é voltado principalmente para o público do setor agropecuário, de finanças e investimentos, além de meio ambiente e sustentabilidade. Mas as inscrições são abertas inclusive à participação de todos os interessados em conhecer mais sobre o tema.
Fonte: Associação Catarinense de Criadores de Suínos | ACCS
Para saber mais sobre como o bem-estar impacta na qualidade do alimento produzido, leia o artigo “Bem-estar animal impacta na produtividade de carne e leite“
Assine agora a revista técnica de nutrição animal
AUTORES

Digestibilidade e fermentação in vitro em pets: reduzir o uso de animais
Josiane Aparecido Volpato,
A água, o nutriente mais importante na nutrição suína
Juan Gabriel Espino
A próxima margem da nutrição animal está além da fórmula
Priscila Beck
Micotoxinas: critérios técnicos para o uso de adsorventes
Adriano Mallmann,
A Ciência por Trás do Kolin Plus FC: Além da Substituição da Colina
Dra. Reshma R Chandran
Gerenciando o Risco de Micotoxinas em um Clima de Mudança

Micotoxinas em aves: ocorrência, impactos e estratégias de mitigação
Alexandra Weaver
Ingredientes alternativos na alimentação de frangos de corte
Édina de Fátima Aguiar,
Menos Ração, Mais Lucro: Como a Genômica Revoluciona a Eficiência Alimentar
Marcos Vinicius Barbosa da Silva