02 Jul 2020

Vacina atenuada contra a coccidiose pode proteger os frangos de corte submetidos a um desafio de enterite necrótica

A combinação de uma vacina contra coccidiose e suplementação alimentar com os aditivos poderia ser uma abordagem complexa para controlar os problemas de enterite necrótica (EN) desencadeados por uma infestação de Eimeria spp. em frangos de corte. Estudo avalia a eficácia de uma vacina atenuada contra a coccidiose (EVANT®), combinada com diferentes aditivos incluídos na ração, para prevenir perda de desempenho e lesões intestinais em frangos de corte submetidos a um desafio de EN.

» A coccidiose é uma das enfermidades mais comuns e disseminadas na avicultura comercial.
» Os anticoccidianos continuam sendo a ferramenta de prevenção mais utilizada em frangos de corte.
 

Mas a sensibilidade reduzida dos parasitas Eimeria devido à exposição prolongada a esses medicamentos, juntamente com a crescente necessidade de reduzir o uso de antibióticos, chamaram a atenção dos produtores de aves para o uso de vacinas anticoccidianas.

As vacinas contra coccidiose são indicadas para diminuir as lesões intestinais causadas por certas espécies de Eimeria reconhecidas como fator de predisposição para enterite necrótica (EN) e, consequentemente, essas vacinas podem ser uma abordagem holística para o controle da EN e uma solução alternativa para o uso de anticoccidianos.

Nos últimos anos, os aditivos nutricionais têm recebido atenção especial da indústria avícola, como uma ferramenta para melhorar o desempenho zootécnico e como uma solução alternativa aos medicamentos antimicrobianos.

A combinação de vacinação contra coccidiose e suplementação alimentar com os aditivos anteriormente mencionados poderia ser uma abordagem complexa para controlar os problemas de enterite necrótica desencadeados por uma infestação de Eimeria spp. em frangos de corte.

O objetivo deste estudo foi avaliar a eficácia de uma vacina atenuada por precocidade contra a coccidiose (EVANT®), combinada com diferentes aditivos incluídos na ração, para prevenir a perda de desempenho produtivo e lesões intestinais produzidas em frangos de corte submetidos a um desafio de EN.
MATERIAIS E MÉTODOS
 

A formulação alimentar padrão não incluía anticoccidianos nem antibióticos promotores de crescimento.
» Além disso, os alimentos da fase de crescimento foram especificamente formulados para fornecer fatores predisponentes ao desenvolvimento da EN.

Assim, foram incluídas matérias-primas ricas em polissacarídeos não amiláceos, enquanto, por outro lado, foi evitada a inclusão das enzimas glucanase e xilanase.

» As dietas avaliadas no estudo foram preparadas por meio da suplementação do alimento padrão com ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), ácidos graxos de cadeia média (AGCM) ou aditivos fitogênicos (AF).
 


RESULTADOS
Saúde das aves

» O desafio experimental de EN mostrou, no grupo de aves não vacinadas, um aumento leve e não significativo da mortalidade e um aumento significativo do nível das lesões intestinais associadas a E. maxima e C. perfringens (Gráfico 1).
» A vacina, administrada isoladamente ou em combinação com os aditivos nutricionais no alimento, reduziu significativamente o grau das lesões associadas a C. perfringens, e apenas levemente, ou não significativamente, a mortalidade (em ambos os casos, em comparação com o grupo não tratado).
» O grupo suplementado com AGCM foi o único que mostrou um claro efeito sinérgico com a vacina, já que foi observada no dia 22 uma redução estatisticamente significativa do grau das lesões intestinais associadas a C. perfringens.


Rendimento produtivo

» A enfermidade reduziu o crescimento das aves, o que se refletiu em menor peso corporal (PC) e uma maior taxa de conversão alimentar (TCA) (Gráficos 2-3).
» O maior efeito da enfermidade no rendimento produtivo foi observado aos 28 dias pós-vacinação, após compensação das perdas no crescimento, porém com menor eficiência. Após o desafio de EN, as aves vacinadas cresceram e converteram o alimento melhor do que as não vacinadas, conforme demonstrado com o peso corporal (PC) mais elevado e uma taxa de conversão alimentar mais baixa (TCA) (Gráficos 2-3).
» Um crescimento compensatório depois do desafio (28-42 dpv) foi provavelmente a causa da ausência de benefícios significativos em peso corporal aos 42 dpv (Gráfico 2). A suplementação do alimento com aditivos não resultou em melhoria adicional dos pesos das aves vacinadas após o desafio de EN (28 dpv), em comparação com os do grupo somente vacinado, e não foi encontrada uma diferença estatisticamente significativa neste parâmetro (Gráfico 2).

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Contudo, o grupo com AGCM foi o que converteu o alimento mais eficientemente, entre os vacinados e suplementados com aditivos, como indica a TCA mais baixa durante o período completo do estudo (Gráfico 4).

DISCUSSÃO E CONCLUSÕES

 
» Neste estudo, a vacinação com EVANT® demonstrou sua capacidade para reduzir as lesões intestinais associadas a C. perfringens, em comparação com as de aves não vacinadas e, como consequência, também foram observados benefícios no rendimento produtivo.
» A conversão alimentar durante o período crítico da enfermidade também foi melhor, em comparação com a de aves não vacinadas.
» Concluindo, a vacinação com EVANT® reduziu as lesões intestinais causadas pela EN desencadeada por E. maxima, uma dieta predisponente e uma infecção por C. perfringens.
» A suplementação com AGCM no alimento das aves vacinadas reduziu ainda mais as lesões intestinais causadas pelo desafio de EN, em comparação com a vacinação isoladamente, e melhorou a conversão alimentar das aves, independentemente do desafio de EN.
 
Autores: Martina Dardi1, Luis Pantoja1, Ellen van Eerden2
1HIPRA, Amer (Girona), Espanha.
2Schothorst Feed Research, Lelystad, Países Baixos.
 

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