17 dez 2021
Há uma crescente demanda global por sistemas de criação que favoreçam o bem-estar animal. As boas práticas do bem-estar animal são compostas pelas cinco liberdades:

Estar livre de fome e sede
Estar livre de desconforto
Estar livre de dor e doenças
Ter liberdade para expressar os comportamentos naturais da espécie
Estar livre de medo e de estresse
A ausência dos princípios do bem-estar afeta a saúde do animal, desempenho e qualidade da carne e do leite por meio de funções imunológicas suprimidas pelo estresse. Para ficar claro, vejamos a definição de estresse por Alexandre Rossetto Garcia, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste:
Portanto, o manejo inadequado dos animais, como a apresentação de novos estímulos, transporte, violência e o uso de restrições, é um . Já o manejo favorável ao bem-estar pode reduzir o estresse e oferecer certos benefícios à saúde para os ruminantes.
Por exemplo, em comparação com um manejo adequado aos animais, um manejo estressante aumenta o medo do bovino em relação aos humanos e resulta em aumento da frequência cardíaca, concentração total de cortisol no sangue, aumento da temperatura corporal e glicólise rápida (queda do pH). Além disso, o estresse afeta a secreção de ácido gástrico e o balanço de ativação dos sistemas nervosos simpático e parassimpático.
Quando o objetivo do sistema é produção de carne, é importante reduzir o estresse dos animais durante a rotina de manejo, pois se sabe, por exemplo, que animais agitados durante o manejo correm mais riscos de acidentes, levando ao aumento de contusões nas carcaças.
Além do manejo inadequado, o estresse calórico também é um dos principais fatores que afetam o desempenho dos animais, especialmente fêmeas em lactação. Um dos distúrbios causados no animal que sofre por estresse calórico é a redução da quantidade de saliva produzida, o que pode prejudicar a funcionalidade ruminal.
Portanto, não é surpreendente que o manejo das mudanças induzidas pelo estresse na produção de saliva por ruminantes afetará, por sua vez, o ambiente e a microbiota ruminal.
Além disso, essa alteração da microbiota ruminal pode ser prejudicial à digestibilidade da forragem e, consequentemente, à produção animal. Já, que diminui a população de bactérias celulolíticas.
Um estudo publicado em 2021, observou que ao provocar estresse em
ovelhas através do manejo inadequado, diminuiu a capacidade do rúmen para digerir forragem, que nesse caso foi o feno. Isso foi devido à alteração da microbiota ruminal.
Além disso, neste estudo, os animais que receberam um manejo inadequado tiveram menor consumo e digestibilidade da forragem e ph ruminal. Observaram também que ovelhas expostas ao estress tinham mais bactérias patogênicas e menos bactérias celulolíticas no rúmen.
Os potenciais riscos de produção animal colocados por um manejo estressante, têm implicações no bem-estar dos animais, assim, no desempenho final em sistemas de produção de ruminantes.

Quer conhecer mais efeitos do estresse sobre a produção animal? Clique aqui!
Assine agora a revista técnica de nutrição animal
AUTORES

Suplementação concentrada a pasto: quando realmente vale a pena?
Rafael Mezzomo
Conceito de “alimentação ativa” para o controle da doença do edema em leitões
Alberto Morillo Alujas
Efeitos no pH ruminal e no consumo de alimento de vacas submetidas a um desafio

Dietas caseiras versus alimentos comerciais para gatos
Ananda Portella Félix
Nutrição de Precisão na Piscicultura: Tecnologia, Eficiência Alimentar
Luiz Fernando de Souza Alves
Medidas na redução do uso de antibióticos na produção de frangos de corte
Édina de Fátima Aguiar
Europa fecha as portas para proteína animal do Brasil: o que está por trás
Gabriela Galvão
Acidose Ruminal Subaguda: o papel essencial da microbiota do rúmen na saúde
Rahmad Balegi
Eficiência Invisível: Como Blends Bioativos Funcionais Transformam a Saúde

Potencializando a saúde intestinal e o desempenho de leitões pós-desmame
Miliane Alves da Costa
Estratégia de Controle e Prevenção da Criptosporidiose em Ruminantes
Dr. Fernando Noriega del Campo
Otimizando a Nutrição com Colina em Aves Através de Alternativas Sustentáveis
Dra. Reshma R Chandran
Probióticos solúveis em água e betaína anidra: suporte intestinal para aves