28 Apr 2021

“Minerais orgânicos”: vocês realmente sabem o que estão comprando?

A suplementação de microminerais nas décadas de 50 e 60, baseava-se em pesquisas realizadas para se estabelecer quais eram os […]

“Minerais orgânicos”: vocês realmente sabem o que estão comprando?

A suplementação de microminerais nas décadas de 50 e 60, baseava-se em pesquisas realizadas para se estabelecer quais eram os requerimentos mínimos destes nutrientes para as mais variadas espécies de animais de produção. O critério utilizado nestes estudos foi: qual a quantidade mínima de cada um dos minerais deve ser utilizada nas dietas, para que os animais não apresentem sinais claros de deficiência? Mesmo os requerimentos publicados mais recentemente, como o NRC por exemplo, levam em consideração as pesquisas realizadas na metade do século passado; acredite!

Novos estudos não foram realizados, por uma série de motivos que não serão aqui discutidos. O fato é que a indústria, de uma maneira mais prática, acabou por revisar os níveis de suplementação, sendo que, atualmente, níveis mais elevados destes minerais são utilizados corriqueiramente pelas agroindústrias e demais produtores por inúmeras razões.
A título de esclarecimento, os microminerais passíveis de serem ligados a moléculas orgânicas são os metais de transição: zinco, cobre, manganês, ferro, cobalto e cromo. O selênio, classificado como não-metal, por sua vez, necessita de um processo distinto para ser incorporado em uma molécula orgânica, pois não é passível de complexação ou quelatação; mas isto deixaremos para uma outra conversa.

O NASCIMENTO DOS “MINERAIS ORGÂNICOS”

No final dos anos 60, uma nova classe de minerais começou a ser pesquisada e utilizada para a suplementação dos animais de produção. Naquela época, percebeu-se que quando um micromineral era ligado a uma molécula de um aminoácido, o aproveitamento deste mineral era otimizado. A forma de se observar essa melhora na utilização desse mineral se dava por ensaios de biodisponibilidade em animais de laboratório e também através da melhora de desempenho dos animais a campo. Conforme novos produtos eram pesquisados e lançados pela indústria de minerais, percebeu-se que o que esses produtos tinham em comum era o fato de o mineral estar ligado a uma cadeia de carbonos. Por esse motivo, deu-se o nome a esses produtos de “minerais orgânicos”, utilizando-se do raciocínio de que o que diferencia a química inorgânica da orgânica é o fato desta possuir moléculas formadas por cadeias carbônicas.

Do ponto de vista químico, o termo “mineral orgânico” é incorreto, pois o mineral que está presente numa molécula “inorgânica” (sulfato de zinco, por exemplo) é o mesmo que o presente numa molécula “orgânica” (complexo zinco-aminoácido). O que difere as duas moléculas é a parte que está ligada ao mineral. Ou seja, orgânico é, de fato, o ligante desse mineral.

Apesar da terminologia equivocada, vamos utilizar o termo usual da indústria, que é o mineral inorgânico (ITM, do inglês “Inorganic Trace Mineral”) e o “mineral orgânico” (OTM, do inglês “Organic Trace Mineral”).
Definições químicas a parte, as empresas que produzem e comercializam esse tipo de produto usam o termo OTM com o objetivo evidente de trazer todos os produtos para uma mesma base de comparação, passando a impressão que todos esses produtos são iguais entre eles o que, realmente, não é verdade. O que se forma, com isso, é um verdadeiro caos, com erros até certo ponto grosseiros na avaliação destes produtos. Com o objetivo de trazer um pouco de ordem a isso tudo a AAFCO, associação americana dos produtores de alimentos para animais, criou uma categorização para os “minerais orgânicos”, classificando os produtos em grupos, descritos abaixo:

Complexo metal-aminoácido: é quando há a ligação de um mineral com um único aminoácido, podendo este ser específico (complexo zincometionina, por exemplo) ou inespecífico (complexo zinco-aminoácido).
Quelatos: quando um mineral está ligado a duas ou três moléculas de aminoácidos, estando o primeiro no meio da cadeia. Produtos com baixa estabilidade e pouco solúveis.
Quelato metal-MHA: quando há a ligação de duas moléculas do hidroxi-análogo da metionina com um mineral. Composto insolúvel em água e muito instável.
Proteinatos: quando o mineral está ligado a uma cadeia de dois ou mais aminoácidos (uma proteína). Ligação química fraca, molécula instável.
Complexo metal-polissacarídeo: quando o metal está ligado a uma matriz de carboidrato (açúcar). Neste caso, há a formação de uma fraca ligação química entre os metais e o carboidrato. Porém, os minerais ficam “envolvidos” pela matriz de açúcar, sendo protegidos fisicamente. Molécula instável.
Metal-propionato: ligação entre o metal e duas moléculas de ácido propiônico. Ligação química fraca, molécula instável.

Essa categorização adotada pela AAFCO tem, infelizmente, sérias deficiências. Ela leva em consideração tão somente a classificação química dos produtos, não avaliando as diferenças práticas, como por exemplo, a absorção e metabolização destes e, mais importante ainda, quais são os resultados do uso de cada um desses produtos com relação a performance dos animais suplementados pelos mesmos. Pequenas diferenças químicas podem gerar resultados completamente diferentes. Desta forma, guarde esta mensagem:

“MINERAIS ORGÂNICOS” NÃO SÃO TODOS IGUAIS
Explicamos porque!
Lembrem-se: o objetivo de se utilizar um “mineral orgânico” é que ele seja absorvido (mineral + ligante) intacto. Caso haja a separação destes dois, em qualquer parte do trato digestório que seja, antes da absorção, o mineral passa a ser “inorgânico” e terá que encontrar outro transportador, sendo absorvido como um mineral convencional. Então, segue mais uma regra básica:

UM “MINERAL ORGÂNICO” NÃO PODE SE DESCONECTAR DE SEU LIGANTE ANTES DE SER ABSORVIDO NO INTESTINO DOS ANIMAIS.

perstorp-pt
Vetanco
ABvista
Banner Evento ESG Simposio Leite Integral

Portanto, para que o “mineral orgânico” possa exercer todas as suas funções de maneira diferenciada, o mesmo deve ser absorvido intacto pelo enterócito, e para isto sua estrutura química deve obrigatoriamente atender aos 4 atributos abaixo:

SOLÚVELsolubilidade em água do ingrediente ativo é necessária para maximizar o potencial de absorção.
ESTÁVEL estabilidade em pH de 2,0 a 7,4 para garantir a integridade da molécula através do ambiente ácido do estômago.
ABSORVÍVEL O mineral deve ser absorvido pelas células intestinais com sua “estrutura química intacta” para que seja transportado até o sangue com eficiência. Isso resulta em uma maior distribuição do mineral, em questão, para todos os órgãos, tecidos e sistemas enzimáticos dentro do animal.
METABOLICAMENTE DISPONÍVELA biodisponibilidade, ou seja, a absorção é necessária. Mas não é o suficiente. Os microminerais devem realmente ter um efeito positivo e mensurável no animal. Mais do que “estarem biodisponíveis”, eles devem estar metabolicamente disponíveis e desencadear uma resposta funcional, resultando em uma produção de proteína animal mais eficiente, priorizando a saúde e o bem-estar dos animais.
Se um micromineral deixar de atender a pelo menos um desses atributos, oferecerá menos benefícios ao animal e não melhorará significativamente sua saúde e desempenho. E ainda sim, resultados de desempenho devem ser demonstrados. No caso da Zinpro, além dos seus produtos terem moléculas que atendem aos 4 atributos; seus resultados são comprovados em mais de 270 publicações científicas. Por estas razões e inúmeras outras, e também para facilitar o entendimento, podemos sintetizar os microminerais existentes no mercado em basicamente 3 grupos: 
INORGÂNICOS
O mais comum e barato dos microminerais. Eles têm o seu papel, mas não podem fazer muito pelos seus animais.
ORGÂNICOS
Encontramos inúmeros tipos no mercado; são microminerais unidos a um ligante orgânico; mas que na maioria das vezes, formam moléculas com estruturas químicas que não possibilitam que o mineral seja absorvido de forma intacta; por uma ou mais causas. E é por isto que os resultados de desempenho destes produtos oscilam tanto.

Pelo pouco que foi comentado aqui, sim há muito mais a esclarecer e demonstrar, podemos concluir que definitivamente “minerais orgânicos” não são todos iguais e nem sempre cumprem o papel prometido.
Por isto, antes de utilizar um produto procure quem é referência para ter maiores esclarecimentos. Desde o processo de produção e controle de qualidade, passando pelo entendimento de todas as etapas biológicas até chegar na comprovação da melhora da performance e da qualidade de vida dos animais. 
Estamos à disposição para maiores elucidações; e seguiremos evoluindo juntos. Nós da Zinpro somos muito mais que minerais!

ABvista
agriNews FM pt
Itpsa nutri br 0722
BANNER Tabelas Brasil
Relacionado com Microminerais

MAIS CONTEÚDOS DE

Dados da empresa
Nucleovet 062022
Banner Evento ESG Simposio Leite Integral
perstorp-pt
agriNews FM pt

REVISTA NUTRINEWS BRASIL

Assine agora a revista técnica de nutrição animal

SE UNA A NOSSA COMUNIDADE NUTRICIONAL

Acesso a artigos em PDF
Mantenha-se atualizado com nossas newsletters
Receba a revista gratuitamente em versão digital

DESCUBRA
AgriFM - O podcast do sector pecuário em espanhol
agriCalendar - O calendário de eventos do mundo agropecuárioagriCalendar
agrinewsCampus - Cursos de formação para o setor pecuário.