20 maio 2026
A certificação da Mesa Global da Soja Responsável RTRS (Round Table on Responsible Soy) consolidou, em 2025, sua expansão global e reforçou o protagonismo do Brasil na oferta de soja responsável. Dados mais recentes indicam que a produção mundial certificada atingiu 10,3 milhões de toneladas, evidenciando o avanço da adoção de práticas sustentáveis em larga escala ao longo da cadeia agrícola.
O crescimento não se limita à produção. A demanda global pelo grão certificado também avançou, com alta de 9,5% em 2025, somando 8,1 milhões de toneladas. O movimento está diretamente ligado ao maior engajamento da indústria, especialmente nos segmentos de ração animal e alimentos, diante de exigências crescentes por cadeias mais sustentáveis e rastreáveis.
A base produtiva da certificação também segue em expansão. Atualmente, a RTRS reúne mais de 84 mil produtores certificados, além de uma rede estruturada que inclui centenas de unidades de armazenamento, portos e indústrias, conectando diferentes elos da cadeia.
Brasil responde por 83% da produção de soja responsável
O Brasil lidera esse movimento de forma expressiva. De acordo com a RTRS, o país concentra 220 unidades certificadas e responde por 77% da área total e 83% da produção global de soja RTRS, consolidando-se como principal fornecedor de soja responsável ao mercado internacional.
Atualmente, os produtores certificados RTRS estão no Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Índia e Uganda. enquanto a demanda segue puxada principalmente por mercados europeus. Países como Holanda e Dinamarca lideram o consumo, impulsionados por regulamentações ambientais mais rigorosas e pressão por rastreabilidade.
Outro vetor relevante é o fortalecimento da cadeia de custódia. Em 2025, 17 novas empresas e 41 novos sites foram certificados, ampliando a presença da RTRS em mercados estratégicos como Brasil, Argentina, Índia e Paraguai.
Além da soja, a produção de milho certificado RTRS cresceu 17% no período, alcançando 5,4 milhões de toneladas, indicando diversificação e maior alcance do modelo.
Houve crescimento, porém, há alguns desafios pela frente
Apesar dos avanços, a expansão da certificação ainda enfrenta desafios relevantes. O principal deles está na geração de valor ao longo da cadeia. Conforme compartilha o gerente de Desenvolvimento de Mercado Brasil da RTRS, Alvaro A. P. Queiroz, o grande desafio é ampliar a demanda por soja certificada entre os principais compradores, como indústrias de ração e alimentos.

“A cadeia da soja é longa e complexa, e o consumidor final não percebe claramente sua presença nos produtos. Como resultado, a percepção de valor da soja certificada é baixa, limitando a captura de prêmio ao longo da cadeia”, diz.
Segundo Queiroz, a certificação ainda enfrenta barreiras como custo de adesão e falta de conhecimento por parte de produtores. Na sua avaliação, o processo exige investimento e adaptação, o que pode limitar a entrada de pequenos e médios produtores, mas que, após sua implementação, significam grandes avanços na melhoria da gestão da produção e no acesso a mercados mais exigentes.
“Além disso, muitos ainda enxergam a certificação como um processo complexo, quando, na prática, boa parte dos produtores brasileiros já cumpre diversos critérios exigidos, graças à legislação nacional”, explica.
Por outro lado, existe também uma oportunidade clara de expansão para novos mercados, como o Sudeste Asiático e setores como a aquacultura. Somado a isso, a certificação pode ser uma ferramenta importante para atender novas exigências do mercado, como rastreabilidade e pegada de carbono.
“Mas isso requer investimento e, principalmente, uma melhor distribuição de valor ao longo da cadeia”, destaca Queiroz.
Para os próximos anos, a estratégia da RTRS está centrada em ampliar escala e fortalecer sua proposta de valor.
“É importante que os mercados compreendam o que é a certificação e como ela contribui para uma cadeia mais responsável. Ela vai além do combate ao desmatamento, abrangendo também condições de trabalho, relacionamento com comunidades e boas práticas agrícolas”, finaliza Queiroz.
Fundada em 2006 em Zurique, na Suíça, a Mesa Global da Soja Responsável (RTRS, na sigla em inglês) é uma associação internacional sem fins lucrativos que estabelece padrões competitivos e confiáveis e desenvolve soluções para promover a produção, o comércio e o uso de soja sustentável.
Como uma mesa redonda global multissetorial, a RTRS atua por meio da cooperação entre os diversos atores da cadeia de valor da soja — da produção ao consumo — oferecendo uma plataforma global de diálogo multilateral sobre soja responsável.
Como provedora de soluções, a RTRS desenvolve padrões de certificação para a produção de soja e para a cadeia de custódia, além de ferramentas como a Plataforma Online — que permite o rastreamento e o registro das certificações RTRS, dos volumes de produção e do material certificado — e a Calculadora de Pegada de Soja e Milho, entre outras ferramentas.
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