
10 jul 2026
Conflito no Oriente Médio pode pressionar preços de fertilizantes nitrogenados, elevar o diesel e aumentar os custos de produção da cadeia avícola brasileira.
Por redação nutriNews
A nova escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã voltou a colocar o Estreito de Ormuz no centro das atenções da economia mundial. Localizado entre o Irã e a Península Arábica, o canal é considerado uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta para o transporte de petróleo.

Imagem retirada do Google Earth (10 de jul. 2026)
Segundo o Strauss Center (Robert S. Strauss Center for International Security and Law, um centro de pesquisa da Universidade do Texas em Austin), em matária divulgada pela National Geographic, aproximadamente 20% a 30% do petróleo consumido no mundo passa diariamente pelo estreito, enquanto cerca de 88% de todo o petróleo exportado a partir do Golfo Pérsico utiliza essa passagem. O centro de estudos destaca que uma eventual interrupção da navegação em Ormuz teria potencial para afetar significativamente o comércio marítimo e a economia global, dada a forte dependência do mercado internacional dessa rota.
Embora os reflexos para o agronegócio brasileiro dependam da evolução do conflito, especialistas já alertam para possíveis impactos sobre o custo dos fertilizantes, dos combustíveis e da logística. Para cadeias como a avicultura e a suinocultura, que dependem diretamente da produção de milho e soja para alimentação animal, um aumento desses custos pode pressionar toda a cadeia produtiva.
Na avaliação da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), o Brasil importa aproximadamente 85% dos fertilizantes utilizados na agricultura, boa parte proveniente de países do Oriente Médio, da Rússia e do Norte da África. Uma ampliação do conflito pode comprometer rotas comerciais, elevar custos de produção e reduzir a oferta de insumos estratégicos, como ureia e fertilizantes nitrogenados, pressionando os custos da próxima safra. O analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, converge quanto aos fertilizantes, indicando-o como o principal risco para o agronegócio brasileiro.
“O primeiro aspecto é uma potencial elevação dos preços dos fertilizantes e de outros produtos muito dependentes da região. Se o conflito escalar novamente, isso pode ser um problema. Podemos ter elevação dos preços dos nitrogenados, da ureia, que é um componente muito importante. Isso pode gerar incertezas e instabilidades dentro do agro.”
O Brasil importa grande parte dos fertilizantes utilizados na agricultura, incluindo uma parcela relevante da ureia e de outros nitrogenados provenientes do Oriente Médio. Caso o conflito comprometa a logística na região, a oferta desses insumos pode ser afetada, elevando os custos de produção das principais culturas agrícolas.
Outro efeito esperado é a pressão sobre os preços internacionais do petróleo, com reflexos sobre o diesel e o transporte de cargas. Segundo Fernando Iglesias, esse cenário tende a aumentar os custos operacionais de toda a cadeia agroindustrial.
“De outra maneira, há a alta do preço dos combustíveis, que gera aumento de custos para todas as cadeias. Nem sempre você vai conseguir repassar esse custo adiante.”
No caso da avicultura, isso significa despesas maiores com transporte de insumos, ração, aves e produtos finais, além do impacto indireto sobre a produção de grãos.
Para diminuir a vulnerabilidade diante de crises internacionais, o Brasil busca ampliar sua capacidade de produção de fertilizantes. No entanto, segundo Iglesias, trata-se de um processo de longo prazo.
“O Brasil está buscando alternativas dentro do mercado para ser menos dependente da importação, principalmente dos fertilizantes, para não ocorrer esse tipo de cenário. O problema é que esse tipo de situação só vai ser evidenciado no médio e longo prazo.Você não vai conseguir mudar isso de um dia para o outro, porque é um investimento pesado em infraestrutura.”

Crédito: National Geographic.
Até o momento, não há interrupção no fluxo de fertilizantes ou de petróleo para o mercado internacional. No entanto, caso as tensões entre Estados Unidos e Irã avancem e comprometam a navegação no Estreito de Ormuz, o agronegócio brasileiro poderá enfrentar aumento nos custos de produção, principalmente pela alta dos fertilizantes nitrogenados, dos combustíveis e do frete marítimo.
Para a avicultura e a suinocultura, os principais reflexos tendem a ocorrer de forma indireta, por meio do encarecimento da produção de milho e soja, base das rações, e do aumento das despesas logísticas, fatores que podem reduzir a competitividade do setor caso o cenário geopolítico se prolongue.
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