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Entrevista com: Luciano Roppa – CEO e Presidente do Conselho da YES

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Para ler mais conteúdo de nutriNews Brasil 2 Trimestre 2022

Entrevista com Luciano Roppa 

CEO e Presidente do Conselho da YES SINERGY

 

1. O ano de 2022 iniciou com o conflito entre Rússia e Ucrânia que tem ganhado forças progressivamente. O conflito provocou grandes rupturas em escala global em diversos setores devido às commodities produzidas por esses dois países e ao aumento da inflação. O setor de produção animal foi fortemente afetado. Qual o impacto do conflito no Leste Europeu na produção de proteína animal?

As causas do difícil momento que a humanidade está vivendo, vão além do conflito entre a Rússia e a Ucrânia. Ele foi precedido pela pandemia da COVID, que paralisou várias atividades e iniciou um processo inflacionário global, e pelas enfermidades que afetaram os animais, como a peste suína africana e a gripe aviária.

A PSA dizimou 30% do plantel mundial de suínos (e continua ainda ativa em vários países); a gripe aviaria, hoje está presente em vários países, causando perdas consideráveis, como nos EUA, onde causou o abate de 6% na produção de galinhas poedeira e na França, onde se abateu 8% do plantel de aves. Estas enfermidades nos animais, diminuíram a oferta de carnes desestabilizando as cadeias globais de abastecimento.

Todos esses fatores mencionados vieram a aumentar o preço das principais commodities no mundo. Começando com o aumento do preço do petróleo que encareceu todos os fretes, principalmente, os marítimos.

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 Passando também pela dificuldade das exportações pela Rússia e pela Ucrânia que são grandes produtores de:

Também, por serem países que produzem potássio e ureia, acabaram afetando o mercado de fertilizantes, que encareceram e acabaram afetando toda a cadeia produtiva de grãos. Metade da população mundial obtém seus alimentos graças ao uso de fertilizantes, e se isso for retirado de alguns cultivos, essa produção pode cair até 50%. Sem o Potássio somente, cairia 20%

Somados todos estes fatores, vivemos hoje um momento de aumentos generalizados de preços, uma inflação global e uma dificuldade muito grande por parte dos criadores no mundo inteiro de suportar esses novos preços.

As consequências mais fortes são sentidas pelos pequenos produtores. Isso é muito triste e preocupante, porque 70% dos alimentos do mundo são por eles produzidos. Eles ficaram muito vulneráveis ao aumento de custos e gradativamente vão abandonando a atividade

Mesmo com a alta nos preços dos alimentos há muita dificuldade de repassar o custo real para os consumidores, já que, com todos esses fatores mencionados, as economias do mundo todo enfraqueceram e diminuíram o poder aquisitivo das suas populações.

A preocupação é tanta em relação à crise alimentar, que vários países suspenderam suas exportações para garantir o abastecimento interno e evitar aumentos que trouxessem uma grande inflação (e falta) para sua própria população. A Índia e o Egito suspenderam as exportações de trigo, a Argentina as de farelo e óleo de soja …

Esse quadro apresentado é um grande desafio para o processo de Globalização porque todos os países estão agindo para proteger suas próprias fronteiras e população, evitando as exportações e tentando administrar a crise alimentar dentro dos seus próprios territórios. 

Já começam a surgir novas palavras para definir o momento atual de protecionismo e nacionalismo da produção: “nearshoring” (produzir em um lugar próximo), “onshoring” (retomar a produção no país), “renacionalização …

Seguramente, a crise alimentar, pela falta e pelo alto preço dos alimentos, vai afetar os países menos desenvolvidos, principalmente os que importam muitos alimentos como os países africanos e do oriente médio.

Se olharmos o conflito da Ucrânia e Rússia especificamente, fica claro o prejuízo para os países Europeus. Além de não poder contar com os grãos originários daqueles países, ainda sofrem a consequência do aumento dos preços das fontes energéticas.

Dependentes em grande parte do gás da Rússia, hoje sofrem com a elevação de preços e o desabastecimento eminente. Para piorar a situação, esses países não têm condições de repor essas fontes num prazo menor que 3 a 4 anos.

Os europeus também ficaram bastante prejudicados porque eram grandes clientes consumidores de trigo, milho e girassol fornecidos pela Ucrânia e pela Rússia. Com isso, passam a ter que importar, ou, na pior das hipóteses, passam a ter um aumento altíssimo nos custos de produção, inviabilizando tanto a produção de aves, como de suínos.

Nota-se hoje uma perspectiva de diminuição de 2 a 3% do plantel de animais de produção na Europa devido aos altos custos de produção. A preocupação atual é tanta, que a forte Central Agrícola COPA-COGECA fez a proposta de usar 2 milhões de hectares, dos 8 milhões de hectares de EFA’s (Superfície de interesse ecológico), para voltar a plantar. Querem revisar sua estratégia Ambiental e de biodiversidade auto imposta, em nome de sua segurança alimentar.

O Brasil como grande produtor agrícola e de carne, exportando praticamente 20 a 25% da sua produção de proteínas animais, nesse momento se vê beneficiado, pois está podendo exportar grandes quantidades.

Os bovinos e frangos, nesse primeiro quadrimestre de 2022, bateram recorde de exportação. A única queda nas exportações foi na carne suína, devido à diminuição da importação da China. Porem, o problema da China não esta relacionado com esses fatores que mencionamos, mas sim pelo aumento da produção de suínos que foi feita em tempo recorde no país.

Era esperado que essa reposição dos plantéis – que foram dizimados pela peste suína africana – fossem durar até 2024/25, mas os chineses, numa velocidade impressionante, reconstituíram a sua produção. Os plantéis chineses praticamente já voltaram a níveis muitos próximos aos de antes da peste suína africana, e começam a importar cada vez menos. Esse ano eles vão importar 1 milhão de toneladas de carne suína a menos do que o ano passado. 




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