29 jun 2026
A produção brasileira de grãos segue em ritmo histórico na safra 2025/26. Segundo o relatório AgroInfo de junho de 2026, do Rabobank, o país deverá colher 182 milhões de toneladas de soja e 138 milhões de toneladas de milho, consolidando um cenário de ampla oferta. Apesar do desempenho no campo, o mercado permanece influenciado por fatores geopolíticos, oscilações cambiais, custos logísticos e pelo comportamento da demanda internacional.
Soja: produção recorde e demanda aquecida sustentam mercado
Na soja, o Rabobank confirma uma produção recorde de 182 milhões de toneladas na safra 2025/26, volume 10 milhões de toneladas acima do registrado no ciclo anterior. O resultado é atribuído à combinação entre uma leve expansão da área cultivada e condições climáticas favoráveis ao longo do desenvolvimento da cultura.
Durante a primeira metade de 2026, o mercado internacional da soja foi fortemente influenciado pelo cenário geopolítico. A expectativa de que os Estados Unidos exportassem cerca de 20 milhões de toneladas de soja para a China na safra 2025/26 deu sustentação às cotações na Bolsa de Chicago (CBOT), ao mesmo tempo em que pressionou os prêmios de exportação da soja brasileira.

Outro fator relevante foi o aumento das tensões envolvendo Estados Unidos e Irã, que elevou os preços do petróleo e impulsionou as cotações dos óleos vegetais, incluindo o óleo de soja. Como consequência, os contratos da oleaginosa na CBOT atingiram US$ 12,20 por bushel em meados de março.
Apesar dessa valorização internacional, os preços recebidos pelos produtores brasileiros permaneceram relativamente estáveis em reais, reflexo da valorização da moeda brasileira frente ao dólar e da compressão dos prêmios de exportação, segundo análise da Rabobank.
Do lado da demanda, o banco destaca perspectivas igualmente robustas. As exportações brasileiras deverão alcançar 113 milhões de toneladas em 2026, incremento de 5 milhões de toneladas em relação ao ano anterior. Entre janeiro e maio, os embarques já registraram crescimento de 8%, conforme dados da Cargonave.
O processamento doméstico também mantém trajetória de expansão. Favorecidas pela valorização do óleo de soja e pela melhora das margens industriais, as operações de esmagamento ganharam ritmo. No primeiro trimestre de 2026, o volume processado atingiu 14,3 milhões de toneladas, alta de 10% sobre igual período do ano anterior, mesmo com o adiamento da elevação da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, de 15% para 16%.
Nas últimas semanas, entretanto, o comportamento do mercado voltou a ser determinado principalmente pelos fundamentos de oferta e demanda. O avanço do plantio nos Estados Unidos e as boas condições das lavouras pressionaram as cotações internacionais, que recuaram cerca de 5% ao longo de junho, em comparação com o mês anterior, segundo a análise.
Caso o clima continue favorável no Hemisfério Norte, o Rabobank avalia que novas quedas poderão ocorrer no curto prazo. Após o início da colheita norte-americana, o foco do mercado deverá migrar novamente para a América do Sul, acompanhando possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a safra brasileira de soja 2026/27.
Milho: maior safra amplia oferta, enquanto logística e exportações pressionam mercado
Para o milho, o Rabobank projeta uma produção de 138 milhões de toneladas na safra 2025/26, impulsionada principalmente pelo bom desempenho do milho safrinha em Mato Grosso, que compensou perdas de produtividade registradas em outras regiões produtoras.
Apesar da maior oferta interna, a competitividade das exportações brasileiras deverá ser afetada pela valorização do real frente ao dólar e pela concorrência do milho produzido nos Estados Unidos e na Argentina.
O Rabobank destaca que os embarques brasileiros devem enfrentar um cenário mais desafiador em 2026, diante da maior disponibilidade global do cereal e das condições menos favoráveis para a comercialização externa.
Outro fator de pressão sobre o mercado é o aumento superior a 10% nos custos do frete rodoviário durante o primeiro semestre de 2026. Segundo o banco, esse encarecimento reduz o preço recebido pelo produtor, desacelera a comercialização e favorece uma maior retenção do cereal no mercado interno, estimulando o consumo doméstico em detrimento das exportações.
A combinação entre maior oferta, concorrência internacional e custos logísticos elevados mantém pressão sobre as cotações do milho. Em junho, os preços registraram retração, refletindo o avanço da oferta e o ambiente internacional mais competitivo.
Em contrapartida, a demanda doméstica continua em expansão. O banco estima que o consumo brasileiro alcance cerca de 97 milhões de toneladas em 2026, crescimento de aproximadamente 5% sobre o ano anterior, impulsionado principalmente pela indústria de proteína animal e pelo avanço da produção de etanol de milho.
Entre os fatores de atenção para os próximos meses, o Rabobank destaca o avanço da colheita do milho safrinha em Mato Grosso, que segue como um dos principais pontos de acompanhamento do mercado.
Além disso, massas de ar polar que avançam sobre o Centro-Sul do Brasil provocaram geadas localizadas e temperaturas negativas em áreas produtoras, especialmente nos estados do Paraná e de Santa Catarina, mantendo o clima como um dos principais fatores de monitoramento para o mercado de grãos.
Fonte: Rabobank (com adaptações da redação nutriNews).
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