Órgão governamental decidirá se a tilápia, principal espécie cultivada no Brasil, será classificada como invasora
22 maio 2026
Órgão governamental decidirá se a tilápia, principal espécie cultivada no Brasil, será classificada como invasora
Em 27 de maio, a Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) terá em mãos uma das decisões mais críticas para a piscicultura brasileira: deliberar se a tilápia será classificada como espécie invasora.
“A classificação pode trazer severos danos para um setor que movimenta mais de R$ 6 bilhões por ano e que cresceu acima de 130% na última década – superior ao de outras proteínas animais”, alerta Marilsa Patricio Fernandes, secretária executiva da Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União (Peixe SP).
Pós-classificação, o impacto pode vir por meio de restrições importantes em termos de licenciamento, crédito, expansão e exportação. Atualmente, a tilápia representa quase 70% de toda a produção da piscicultura brasileira e, por isso, os prejuízos da classificação da espécie como invasora ocorrem em três pilares: regulatório, econômico e social.
Do ponto de vista regulatório, pode ocorrer endurecimento do licenciamento ambiental, restrições em reservatórios e tanques-rede, aumento do rigor sanitário e limitação da expansão da atividade – impactando a continuidade de seu desenvolvimento contínuo.
“Não há dúvidas de que a imagem do setor será arranhada e isso vai trazer como consequência econômica redução crítica nos investimentos, encarecimento de produção e perda de competitividade, além de risco social para empregos e impactos em todas as frentes da cadeia produtiva”, pontua a executiva da Peixe SP.
Socialmente, os danos são ainda mais significativos.
“Mais de 110 mil propriedades rurais em nosso país cultivam a tilápia e tiram seu sustento dessa atividade legítima e muito bem organizada. Milhares de famílias sobrevivem da tilapicultura, já que cerca de 600 mil empregos diretos e indiretos estão ligados ao cultivo da espécie”, reforça Marilsa.
A geração de renda vem, principalmente, de produção, transporte, frigoríficos, ração, varejo e processamento.
“Esperamos que, na votação, haja bom senso ao lembrar que a tilapicultura representa muito para o Brasil, seja em geração de renda, desenvolvimento regional, segurança alimentar ou oportunidades para pequenos, médios e grandes produtores”, reforça Marilsa.

A tilápia brasileira é reconhecida internacionalmente por sua responsabilidade e tecnificação, o que é resultado de um esforço conjunto de décadas em avanço com modernização e adoção de boas práticas produtivas, o que trouxe desenvolvimento contínuo. “Unidos é que vamos conseguir lutar pela continuidade da tilapicultura nacional”, completa Marilsa.
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