Eficiência Invisível: Como Blends Bioativos Funcionais Transformam Saúde

04 jul 2026

Eficiência Invisível: Como Blends Bioativos Funcionais Transformam Saúde

Eficiência Invisível: Como Blends Bioativos Funcionais Transformam Saúde em Eficiência Produtiva

Equipe Técnica Tecphy

A produção de leite destaca-se como um dos pilares da agropecuária mundial, exercendo papel fundamental tanto na economia quanto na nutrição humana, ao fornecer proteínas de alto valor biológico, ácidos graxos e micronutrientes essenciais. Entre 2000 e 2020 , observou-se um crescimento consistente da produção global, impulsionado pela intensificação dos sistemas produtivos, avanços em genética, nutrição e manejo, além do aumento contínuo da demanda por alimentos de origem animal.

De acordo com dados da FAO, a produção mundial de leite apresentou expansão significativa desde a década de 1990, tendência que deve se manter nas próximas décadas em função do crescimento populacional e da urbanização (FAO, 2021; OECD/FAO, 2022). Estudos como os de Gerber et al. (2013) e Thornton (2010) ressaltam que o aumento da eficiência produtiva e a adoção de tecnologias são fatores determinantes para sustentar essa expansão, ao mesmo tempo em que reforçam o papel estratégico da cadeia leiteira na segurança alimentar global e no fornecimento de nutrientes essenciais à população.

No contexto brasileiro, a produção leiteira assume relevância estratégica, posicionando o país entre os principais produtores globais, porém marcada por acentuada heterogeneidade estrutural. Essa característica decorre da coexistência de sistemas intensivos, com elevado nível tecnológico, e sistemas extensivos ou de base familiar, frequentemente limitados em termos de gestão, nutrição e eficiência produtiva. Tal variabilidade impacta diretamente em indicadores zootécnicos e na qualidade da matéria-prima obtida. De acordo com Vilela et al. (2017) e Carvalho et al. (2020), os principais entraves à competitividade do setor incluem baixa produtividade por animal, lacunas na qualificação da mão de obra e limitada adoção de tecnologias de precisão e manejo.

Adicionalmente, a qualidade do leite no Brasil é fortemente influenciada por fatores sanitários, nutricionais e ambientais, sendo usualmente monitorada por parâmetros como composição físico-química, contagem bacteriana total (CBT) e contagem de células somáticas (CCS). Nesse cenário, a mastite bovina destaca-se como a enfermidade de maior impacto econômico na cadeia leiteira, uma vez que promove alterações inflamatórias na glândula mamária, elevação da CCS e prejuízos diretos na composição e no rendimento industrial do leite. Estudos clássicos, como os de Bradley (2002) e Halasa et al. (2007), evidenciam que a mastite representa um dos principais fatores limitantes da eficiência produtiva, reforçando a necessidade de estratégias integradas de manejo sanitário e nutricional para melhoria da qualidade do leite.

A dinâmica entre os sistemas inflamatório e antioxidante apresenta papel determinante na regulação da contagem de células somáticas (CCS), uma vez que esse indicador está diretamente associado à intensidade e à persistência da resposta inflamatória na glândula mamária frente a desafios infecciosos.

Em condições de equilíbrio imunometabólico, há maior eficiência na contenção de patógenos com menor necessidade de recrutamento exacerbado de células inflamatórias para o lúmen alveolar, o que contribui para a manutenção da integridade tecidual e da qualidade do leite. Por outro lado, estados caracterizados por estresse oxidativo e inflamação sistêmica promovem ativação desregulada de vias pró-inflamatórias, intensificando a migração celular e elevando a CCS. 

O estresse oxidativo desempenha papel central na disfunção imunológica e na maior suscetibilidade à mastite (Sordillo, 2016). Dessa forma, intervenções nutricionais capazes de modular simultaneamente inflamação e status antioxidante configuram-se como ferramentas estratégicas para reduzir a pressão patogênica, controlar a CCS e otimizar o desempenho produtivo em sistemas leiteiros modernos.

A utilização combinada de aditivos funcionais na dieta de vacas leiteiras tem emergido como uma estratégia promissora para a modulação integrada dos sistemas imune e antioxidante, especialmente em cenários de alta exigência metabólica. Nesse contexto, a associação sinérgica entre compostos fitoativos, como óleos essenciais e extratos vegetais, bem como leveduras, minerais orgânicos e vitaminas tem sido amplamente estudada devido à sua atuação complementar em diferentes vias fisiológicas. 

Os fitoativos, ricos em compostos bioativos como polifenóis, flavanoides e terpenos exercem efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios por meio da modulação de vias celulares sensíveis ao estado redox, o que contribui para a manutenção da homeostase e redução da ativação inflamatória sistêmica (Karásková et al., 2015; Gessner et al., 2013). Além disso, esses compostos apresentam ação antimicrobiana e moduladora da microbiota, o que reduz a pressão patogênica e favorece a integridade intestinal e a resposta imune (Steiner, 2015).
Concomitante a isso, a inclusão de leveduras, potencializa esses efeitos ao atuar diretamente sobre o ambiente ruminal, promovendo estabilidade do pH, aumento da atividade microbiana benéfica e melhoria da digestibilidade dos nutrientes, o que se traduz em maior eficiência produtiva e suporte imunológico indireto. Paralelamente, minerais orgânicos e vitaminas desempenham papel crucial como cofatores enzimáticos em sistemas antioxidantes endógenos, além de apresentarem alta biodisponibilidade no trato gastrointestinal.

Com base nesses fundamentos, a TECPHY direciona seus esforços de pesquisa e desenvolvimento para a otimização da combinação entre esses compostos, buscando explorar ao máximo seus efeitos sinérgicos sobre a fisiologia animal. Por meio de estudos experimentais e validações a campo, são estabelecidas formulações capazes de modular simultaneamente o ambiente ruminal, o sistema imune e o equilíbrio redox, promovendo maior eficiência metabólica e produtiva.

Essa abordagem visa não apenas potencializar a produtividade, mas também reduzir a pressão patogênica, contribuir para o controle da contagem de células somáticas (CCS) e favorecer a manutenção da saúde da glândula mamária.

Resultados em bovinos de leite:

Pesquisa 1.

Em um estudo conduzido na Universidade do Estado de Santa Catarina, utilizando 14 animais da raça Jersey, divididos em dois grupos: Grupo de animais que receberam o blend de compostos bioativos (óleos essenciais de orégano e canela, cúrcuma, taninos, levedura viva, manaoligossacarídeos, beta-glucanos e minerais orgânicos via dieta), e o grupo de animais que não receberam nenhum aditivo via dieta (controle).

As avaliações ocorreram em dois momentos, sendo fase inicial ao pico de lactação (DEL 30 a 75), com ordenha convencional e meio da lactação (DEL 90 a 135), com ordenha robotizada. Desse modo, observou-se que após 25 dias de uso do aditivo, a produção de leite das vacas do grupo que consumiu o blend foi maior (+1.5 litros na média geral) em comparação ao grupo controle na ordenha convencional, ao passo que na ordenha robotizada, caracterizada pelos animais já em meio de lactação, houve uma queda de produtividade geral, porém os animais do grupo que consumiram o blend de bioativos produziram mais leite diariamente (+1.1 litros na média geral) em comparação ao controle (Figura 1 e 2).
Vale ressaltar que após o pico de lactação, há uma queda de produtividade no lote, bem como a mudança do sistema de ordenha pode influenciar diretamente na adaptação e mantença da produção.

Ainda no mesmo experimento, observou-se que níveis de imunoglobulinas A séricas dos animais que consumiram o blend de bioativos foram maiores comparados ao grupo controle no período de início/pico de lactação (Figura 3). Do ponto de vista fisiológico, vacas em pico de lactação enfrentam intenso desafio metabólico e imunológico, com tendência à imunossupressão transitória. Nesse cenário, estratégias nutricionais que promovam aumento da IgA contribuem para melhor proteção da mucosa, maior estabilidade da microbiota intestinal, menor translocação bacteriana e melhor integridade epitelial, fatores esses diretamente ligados à eficiência alimentar e à resposta imune sistêmica.

No contexto da CCS, o estudo avaliou os animais em diferentes períodos de dias em lactação (início, pico e meio). Para vacas com DEL 30 a 75, não houve diferença entre os grupos, embora se observe uma redução numérica de CCS no grupo que consumiu o blend de bioativos. Por outro lado, vacas com DEL 90 a 135 que receberam o blend de fitoativos apresentaram menor CCS em comparação ao grupo controle (P < 0,05). (Figura 4).

Ao realizar o teste microbiológico para presença de Streptococcus no leite, observou-se ausência total dessa bactéria para os animais que consumiram o blend de compostos bioativos, quando comparados ao grupo controle, em ambos os períodos de lactação (Figura 5).
Do ponto de vista patogênico, os Streptococcus possuem mecanismos que favorecem sua adesão e persistência no tecido mamário, como a produção de fatores de virulência que facilitam a colonização, evasão do sistema imune e formação de biofilmes. A resposta inflamatória desencadeada pela infecção resulta no recrutamento de leucócitos para o leite, em que eleva o CCS e altera a composição do leite, com redução de caseína, lactose e rendimento industrial.

Pesquisa 2:

Corroborando os resultados obtidos no estudo supracitado, outro estudo foi conduzido em seis propriedades, envolvendo 89 vacas leiteiras. Ao considerar a média geral dos animais, observou-se redução de 14,21% na CCS individual (Figura 6) e de 14,76% na CCS do tanque (Figura 7) após 30 dias de uso contínuo do blend de compostos bioativos, em comparação ao período sem suplementação.

Pesquisa 3.

Em outro momento, em um estudo utilizado 17 animais da raça Holandês, observamos que o uso contínuo por 90 dias da combinação dos compostos bioativos demonstrou redução gradual e linear na CCS na média individual entre os animais (- 14,01%) (Figura 8).

Importante ressaltar que, a CCS é um parâmetro altamente sensível e deve ser entendida como uma variável multifatorial, resultante da interação entre:

Fatores ambientais: Imunidade do animal, estágio da lactação, idade do animal, número de lactações e fatores genéticos.
Fatores de manejo: A higiene na ordenha, qualidade da cama, manejo do pré e pós-dipping, manutenção dos equipamentos de ordenha e rotina operacional.
Fatora ambientais e nutricionais: Estresse térmico, superlotação, falhas nutricionais e desequilíbrios metabólicos.

Em tese, a modulação da microbiota e dos sistemas inflamatório e antioxidante é um dos principais direcionadores de eficiência na produção leiteira. Quando bem ajustados, esses sistemas reduzem o desvio de energia para respostas inflamatórias desnecessárias e preservam a integridade celular, permitindo que mais nutrientes sejam direcionados para a produção de leite. Estudos de Sordillo (2016) e Bernabucci et al. (2005), demonstram que vacas com melhor status antioxidante e menor inflamação apresentam maior desempenho produtivo e menor incidência de distúrbios metabólicos e mastite.

Nesse cenário, o uso combinado de fitogênicos, leveduras, minerais orgânicos e vitaminas se destaca pela ação sinérgica. Nesse contexto, compostos fitogênicos atuam na redução da inflamação e do estresse oxidativo; leveduras, como Saccharomyces cerevisiae, melhoram a eficiência ruminal e o aproveitamento de nutrientes; enquanto minerais, associados a vitaminas, reforçam os sistemas antioxidantes endógenos. Gessner et al. (2013) e Weiss (2010) indicam que essa combinação contribui para melhor resposta imune, menor contagem de células somáticas (CCS) e maior estabilidade produtiva

Em síntese, o aumento da CCS no leite é resultado de um desequilíbrio entre desafio sanitário e capacidade de resposta do animal, sendo essencial uma abordagem integrada envolvendo manejo, nutrição, sanidade e monitoramento contínuo para seu controle efetivo.

Conclusão

Na prática, o uso de blends de compostos bioativos, combinando fitoativos, extratos vegetais, leveduras, minerais orgânicos e vitaminas, destaca-se como estratégia central para modular a microbiota e os sistemas inflamatório e antioxidante.  Fatores esses que se traduzem em vacas mais resilientes, com menor pressão patogênica, melhor eficiência alimentar e maior consistência na produção e qualidade do leite. A nutrição funcional, baseada nessa sinergia de compostos, deixa de ser apenas suporte e passa a ser ferramenta estratégica para maximizar desempenho e sustentabilidade na pecuária leiteira moderna.

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ISSN 2965-3371

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