Mudança na formulação da alimentação animal chinesa, com maior participação de sorgo e DDG, reforça a busca por autossuficiência e fortalece expansão das exportações brasileiras de insumos destinados à nutrição animal.
18 jun 2026
Mudança na formulação da alimentação animal chinesa, com maior participação de sorgo e DDG, reforça a busca por autossuficiência e fortalece expansão das exportações brasileiras de insumos destinados à nutrição animal.
Por redção nutriNews Brasil
A crescente importação da China de sorgo brasileiro nas formulações de rações e DDG (grãos secos de destilaria) para etanol, tem intensificado as projeções internas sobre o cereal e criado novas oportunidades aos exportadores brasileiros. O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla do país asiático para diversificar as matérias-primas empregadas na alimentação animal, reduzindo a dependência de milho e farelo de soja e aumentando a flexibilidade nutricional das dietas.
Segundo Gabriel Viana, analista da Safras & Mercado, a iniciativa busca minimizar os impactos da volatilidade dos mercados de commodities sobre os custos de produção.
“A China está tentando diversificar as matérias-primas para evitar que elevações de preços em uma ponta acabem encarecendo toda a cadeia produtiva. Como utilizam grandes volumes de milho e soja na alimentação animal, a diversificação permite diluir os impactos de altas mais expressivas em uma dessas commodities”, explica.
Nesse contexto, ingredientes alternativos como sorgo, farelo de trigo e farelo de arroz vêm ganhando espaço nas formulações, permitindo maior flexibilidade para a indústria de nutrição animal.
Para o Brasil, a tendência representa uma oportunidade estratégica de ampliar a participação do sorgo no mercado internacional. No entanto, transformar esse potencial em crescimento consistente das exportações exigirá avanços importantes dentro da própria cadeia produtiva. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Antônio Bertolini, os principais entraves estão relacionados à infraestrutura de armazenagem e logística.

Paulo Antônio Bertolini, presidente da Abramilho
“O país enfrenta um déficit estimado em 135 milhões de toneladas de capacidade estática de armazenagem, além da necessidade de investimentos em rodovias, ferrovias e portos para sustentar o aumento dos fluxos comerciais”, explica Bertolini.
O presidente da Abramilho destaca ainda que a consolidação do sorgo passa, antes de tudo, pelo fortalecimento da demanda doméstica. Em sua avaliação, a trajetória da cultura pode seguir caminho semelhante ao percorrido pelo milho nas últimas décadas: crescimento do consumo interno, expansão da produção e, posteriormente, geração de excedentes exportáveis. “A demanda chinesa mostra que o sorgo está ganhando relevância estratégica nas formulações de ração. O Brasil tem capacidade para atender esse mercado, mas será fundamental fortalecer o consumo interno e investir em armazenagem e logística para sustentar esse crescimento”, concluiu.
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