13 jul 2026
Os mercados de milho e soja seguem apresentando preços firmes no Brasil, em um cenário marcado por fatores climáticos, ritmo da colheita, demanda internacional e exportações aquecidas. Segundo levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), esses elementos continuam influenciando a dinâmica das duas principais matérias-primas utilizadas pela indústria de nutrição animal.
Milho permanece sustentado pela baixa liquidez no mercado spot
As cotações do milho seguem firmes em boa parte das regiões acompanhadas pelo Cepea, sustentadas principalmente pela baixa liquidez no mercado spot.
De acordo com o Centro de Pesquisas, enquanto os vendedores priorizam as atividades de campo, os compradores permanecem retraídos, aguardando o avanço da colheita da segunda safra e uma maior disponibilidade do cereal. Além disso, a valorização das cotações internacionais continua dando suporte aos preços internos.
Clima limita a oferta e reduz a pressão típica da colheita
Segundo o Cepea, embora fossem esperados recuos nas cotações neste período de colheita, as condições climáticas reduziram momentaneamente a oferta disponível. O ritmo da colheita permanece semelhante ao registrado no ano anterior, mas ainda está abaixo da média das últimas cinco safras. Outro fator destacado pelos pesquisadores é que a alta nos preços da soja levou parte dos produtores a priorizar a comercialização da oleaginosa, adiando as vendas de milho na expectativa de condições mais favoráveis para negociar o cereal.
Para as próximas semanas, o Cepea projeta que a redução do volume de chuvas no Centro-Oeste e no Sudeste favoreça o avanço da colheita da segunda safra. Com isso, os produtores deverão obter estimativas mais precisas sobre a produtividade, considerando os impactos das geadas no Paraná, da seca em Goiás e das condições favoráveis ao desenvolvimento da safra em Mato Grosso.
No mercado da soja, os preços também avançaram. Segundo o Cepea, a demanda global aquecida, a valorização dos contratos futuros e a postura retraída dos vendedores brasileiros impulsionaram as cotações no mercado spot nacional. Também contribuíram para esse movimento a distribuição irregular das chuvas no Hemisfério Norte e a intensificação dos conflitos no Oriente Médio. Com isso, a saca de 60 quilos voltou a ser negociada acima de R$ 140,00 nos principais portos brasileiros, patamar nominal que não era observado desde janeiro deste ano, antes da entrada da safra 2025/26.
Os embarques seguem evidenciando a força da demanda internacional pela soja brasileira. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pelo Cepea, mostram que o Brasil exportou 14,49 milhões de toneladas de soja em junho, o maior volume já registrado para o mês desde o início da série histórica, em 1997.
No acumulado do primeiro semestre, os embarques somaram 69,57 milhões de toneladas, volume 35% superior ao registrado no mesmo período de 2025 e um novo recorde para os seis primeiros meses do ano. Segundo o Cepea, esse conjunto de fatores fortaleceu a demanda por embarques imediatos e antecipou as negociações dos prêmios de exportação para embarques previstos para 2028.
Para a indústria de nutrição animal, o comportamento dos mercados de milho e soja permanece no radar devido à importância dessas matérias-primas na formulação de rações. Enquanto o avanço da colheita da segunda safra poderá alterar a dinâmica da disponibilidade de milho nas próximas semanas, a soja continua sustentada pela demanda internacional e pelo ritmo recorde das exportações.
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