Farinha de vísceras como ingrediente que valoriza coprodutos na nutrição animal

15 jul 2026

Farinha de vísceras como ingrediente que valoriza coprodutos na nutrição animal

Tendência observada no mercado de pet food evidencia o avanço de ingredientes alternativos também na alimentação de animais de produção, impulsionados por sustentabilidade, economia circular e eficiência nutricional.

Por redação nutriNews

A crescente valorização da farinha de vísceras no mercado de pet food evidencia uma transformação que também alcança a nutrição de animais de produção. Antes vistos apenas como subprodutos, ingredientes oriundos do processamento animal vêm sendo reconhecidos pelo elevado valor nutricional e pelo potencial de contribuir para sistemas produtivos mais sustentáveis.

A farinha de vísceras tem conquistado espaço nas formulações de alimentos para cães e gatos, devido à alta concentração de proteínas, aminoácidos essenciais e energia, além de representar uma importante estratégia de economia circular ao promover o aproveitamento integral das matérias-primas da cadeia de proteínas animais.

Embora o destaque esteja voltado ao segmento pet, essa valorização reflete um movimento mais amplo da indústria de nutrição animal, impulsionado pela busca por maior eficiência produtiva, diversificação de ingredientes e redução dos impactos ambientais.

Segundo Ingrid Caroline da Silva, zootecnista, mestre e doutora em Produção Animal com ênfase em Nutrição de Cães e Gatos, professora, pesquisadora e fundadora da NutriPet Insights, a valorização dos coprodutos está diretamente relacionada às novas demandas da produção animal.

Ingrid Caroline da Silva

“Na minha visão, a valorização dos coprodutos está relacionada à necessidade de produzir alimentos de forma mais sustentável e economicamente viável. A crescente demanda por ingredientes tradicionais, como milho e farelo de soja, aliada à maior volatilidade dos preços, impulsiona a busca por alternativas que mantenham o desempenho dos animais.”

A especialista explica que ingredientes como a farinha de vísceras apresentam elevado valor nutricional, quando produzidos sob rigoroso controle de qualidade.

“A farinha de vísceras apresenta elevado teor proteico, bom perfil de aminoácidos e alta concentração de energia. O HPDDG também se destaca pelo elevado teor de proteína, fibra e fósforo, podendo substituir parcialmente ingredientes convencionais em diversas formulações.”

Além dos benefícios nutricionais e econômicos, Ingrid destaca o papel desses ingredientes na promoção da sustentabilidade, através da utilização de coprodutos, que contribuem para a economia circular, reduz desperdícios e agrega valor às matérias-primas provenientes de outras cadeias produtivas. Segundo a zootecnista, isso tende a diminuir o impacto ambiental e favorece sistemas de produção mais eficientes.

Saúde intestinal segue como prioridade

Outro ponto destacado pela especialista é que a saúde intestinal continuará sendo um dos principais pilares da nutrição animal nos próximos anos, especialmente diante da redução do uso de antibióticos promotores de crescimento. Nesse cenário, ingredientes funcionais devem ganhar ainda mais espaço nas formulações.

“Prebióticos, fibras funcionais, ácidos orgânicos, leveduras e seus derivados, além de proteínas de alta digestibilidade, devem ganhar ainda mais espaço.”

Segundo Ingrid, esses ingredientes auxiliam na modulação da microbiota intestinal, fortalecem a integridade da mucosa, estimulam a resposta imune e melhoram a digestibilidade dos nutrientes. A especialista também observa um crescimento da nutrição de precisão, baseada na utilização estratégica de ingredientes e aditivos conforme a fase produtiva e os desafios sanitários enfrentados pelos sistemas de produção.

Sustentabilidade, inovação e qualidade serão determinantes

Na avaliação de Ingrid Caroline, o principal desafio da nutrição animal na próxima década será conciliar sustentabilidade, eficiência produtiva e viabilidade econômica.

“Será necessário produzir mais utilizando menos recursos, reduzir a emissão de gases de efeito estufa, otimizar o uso de matérias-primas e atender às crescentes exigências dos consumidores por sistemas produtivos mais responsáveis.”

Ela ressalta que o setor já avança com o desenvolvimento de novos ingredientes, aditivos funcionais, ferramentas de nutrição de precisão e tecnologias voltadas ao maior aproveitamento dos nutrientes. Apesar disso, ainda existem desafios relacionados à padronização da qualidade dos ingredientes alternativos, à disponibilidade de matérias-primas e aos custos de adoção de novas tecnologias.

Para a pesquisadora, o futuro da nutrição animal dependerá da integração entre pesquisa científica, inovação e sustentabilidade.

“As empresas que investirem em ciência, controle de qualidade e soluções nutricionais personalizadas estarão mais preparadas para atender às demandas do mercado, mantendo elevados índices de desempenho zootécnico e competitividade.”

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